quinta-feira, 17 de abril de 2008

Oceano que separa, oceano que une

Meu amor,

Um oceano e a metade de dois continentes nos separam. Há quase 10.000 quilômetros entre nós (9.293, para ser exata). Nunca ficamos tanto tempo longe um do outro nesse ano e meio em que estamos juntos - ou mesmo nesse período de mais de dois anos que nos conhecemos. Não conseguimos nos falar com tanta freqüência quanto gostaríamos. A saudade nos oprime o coração, tanto o meu quanto o seu.

Apesar de toda essa conspiração do sistema métrico contra nós, eu sempre procuro refúgio nas lembranças dos momentos que passamos juntos, nas fotos que tiramos nesses dois anos e pouco e, principalmente, em "Oceano", que sempre me faz lembrar você, suas ligações, nossos jantares, tudo o que vivemos ao som dessa canção. Toda vez que a ouço, sinto-me mais próxima de você, meu adorado.

Daqui a pouco tempo (menos de um mês), voltaremos a ouvir nossa música sem que um oceano nos separe, será apenas o que nos une!

Amo você, para sempre!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Saudade

Confesso que a saudade me invade todos os dias e todas as noites. À noite, ela sempre vem com mais força, vem mais opressora. É de noite que ela chega com seu açoite e começa a golpear com um coice ou, como a morte, com uma foice (para praticar um pouco a rima).

Tá, voltamos a ser sérios! A questão é que de dia, tem o trabalho, os problemas, os e-mails, as pesquisas, os telefonemas, tudo isso. Mal dá tempo de pensar em algo que não seja a missão.

Por outro lado, de noite, fico sozinha no meu quarto. É de noite que fico ouvindo as mesmas músicas que estão desde sempre no meu celular, todas ma elmbrando a mesma pessoa. É de noite que leio um livro que comprei completamente por acaso, sem saber do que se tratava, porque achei a capa bonitinha. Acabou que me identifiquei tanto com o livro, tirando toda a questão política e ideológica (se é que se pode pensar em um livro de Isabel Allende sem levar em consideração a parte ideológica...).


A cidade é linda, mas minúscula. Já rodei tudo e conheço as ruas de cor - sabendo a ordem dos restaurantes e das lojas - desde a primeira semana aqui... Às vezes, me dá vontade imensa de voltar para o meu cantinho, para os meus sapatos - como sinto falta dos assassinos dos meus pés... - para a minha casa, tão pertinho da casa do meu amor. Quero voltar para meus restaurantes prediletos, para os rodízios loucos de sushi, de pizza, de tapioca... Sinto falta de telefone, de carro, de inscrições em português pelas ruas. (Adoro ver aqui que algo é novo, porque, em esloveno, novo é novo. Me sinto em casa quando leio isso).

O principal, no entanto, é a falta das pessoas. Sinto falta dos meus amigos sempre presentes e dos muitas vezes ausentes (por minha própria culpa). Sinto falta da minha família. Sinto falta do meu amor, que ficou tão longe. Sinto falta da liberdade que tenho para me movimentar na minha cidade, pelos lugares que eu conheço e onde me sinto em casa...

Verdade é que nunca passei tanto tempo longe assim. Piora tudo o fato de não ter acesso fácil a telefones... Me faz falta ouvir a voz das pessoas.

Mas, um mês passa rápido. Daqui a uns 25 dias, eu volto a tudo o que faz meu mundo, ao meu canto, ao meu carro, ao meu telefone funcionando, aos meus sapatos assassinos, às minhas roupas de calor, aos meus perfumes, às minhas músicas, aos meus filmes, aos meus livros, aos meus amigos, à minha família e ao meu amor.