Carina achava que tudo estava bem na sua vida. Tinha muitos amigos, havia acabado de se formar, estava em um emprego bom. Tudo parecia certo. Um belo dia, porém...
"Oi, meu nome é Vilma. Soube que talvez abra uma vaga aqui nesse setor, então queria marcar uma entrevista para o emprego!"
O chefe, homem já com muita experiência, bem que hesitou, mas não teve jeito. A menina tinha um padrinho naquela rede de lojas. Vilma foi empregada, na mesma loja que Carina.
Ambas, de início, se davam muito bem. Conversam sempre que o tempo lhes permitia, saíam juntas depois do trabalho, iam a cinema, bares e restaurantes. Sempre se encontravam fora do trabalho. Não eram apenas colegas, eram amigas.
Com o tempo, o emprego na loja não mais satisfazia às duas moças. Elas logo quiseram sair daquele sucursal no subúrbio e ir para a central, onde teriam uma maior visibilidade e ganhariam bem mais.
A competição aos poucos foi se acirrando de uma e outra partes. Já não se falavam direito, trocavam apenas cumprimentos de cortesia e, às vezes, nem isso. As pessoas ao redor começaram a notar essa mudança de comportamento e comentar sobre isso nos corredores. Vilma estava certa de que ganharia a vaga, por seu padrinho importante na loja. Carina, só contava com o apoio de seu chefe - que sempre acreditou muito mais nela do que na novata - e dos estagiários e funcionários de mais baixo grau. Era certo que Vilma ganharia.
Às vésperas da decisão, no entanto, o diretor geral da rede de cosméticos decidiu que mudaria um pouco o processo. Seria feita uma votação entre as duas candidatas e uma terceira, de outra filial, e ela seria extensiva a todos os funcionários dessas redes. Vilma ainda estava confiante, pois dizia que seu padrinho conseguiria esses votos facilmente. Carina começava a ficar mais feliz, pois achava que, com o voto extensivo a todos, os funcionários da secretaria, da limpeza, da informática, do restaurante, etc, a quem ela sempre tratava com o maior respeito, poderiam performar o milagre esperado.
Chegou a votação. A alta diretoria se dividiu entre Vilma, por conta do padrinho da moça, e a terceira garota, da outra filial, que também tinha um padrinho forte. A decisão seria mesmo decidida pelos outros funcionários. Aí houve a grande surpresa.
A primeira filial se dividiu entre os que votaram em Vilma e os que votaram em Carina. Cada uma delas ficou com metade dos votos totais. Já na outra loja, por não haver essa competição, a moça, Renata, obteve todos os votos e acabou sendo a escolhida para trabalhar na central.
Carina e Vilma continuaram trabalhando na mesma loja do subúrbio, mas agora não suportavam mais dividir o mesmo espaço. Não falar uma com a outra não era bom o suficiente ainda. Elas passaram a se odiar e a odiar o fato de terem de ver-se todos os dias e fingir que tudo está bem.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
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