Um dia desses, estava revendo o filme "Sissi" (que é uma graça, recomendo!). Uma das cenas mostrava um baile da corte austríaca, a mais chique da época. Notei uma coisa de que já desconfiava havia algum tempo: mulheres chiques não usam luvas e anéis, mas quase todas usavam luvas e pulseiras.
Pensei em uma menina que conheci há bastante tempo, que costumava dizer que não se podia ter tudo no mundo, que não se podia, por exemplo, usar luvas e anéis. Realmente, esses são um tanto incompatíveis, mas, nem tudo está perdido, ainda restam as pulseiras.
Às vezes, aquilo que a gente quer, ou acha que quer, não é o melhor para a gente - afinal, o anel, devido ao volume extra que a luva faz no dedo, passa a não mais caber. Por isso, o melhor, é procurar uma outra alternativa, como pulseiras, que ficam muito melhor com a luva e ficam incrivelmente glamourosas.
Queria poder dizer isso a essa menina. Queria dizer que, em um aspecto, ela está certa, não se pode ter tudo. Mas, isso não é o fim do mundo. Se, por um lado, anel não pode, por outro, há alternativas, que, apesar de não parecer à primeira vista, são melhores, mais bonitas e mais interessantes.
Acima de tudo, queria dizer que os anéis podem ir embora, talvez por muito tempo, talvez para sempre, mas os dedos sempre ficam. Dedos ansiosos por novas luvas e por pulseiras.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Volta e votos.
Voltei!
Depois de alguns dias, uns de descanso e outros nem tanto, estou de volta à ativa. Pensei em milhões de coisas que poderia escrever aqui, mas não tinha internet disponível... Aos pouquinhos, vou passar meus pensamentos da caixola à telinha.
Primeiramente, só queria dizer que espero que todos tenham tido um Natal maravilhoso, repleto de luz e paz. Não mandei mensagem bonitinha esse ano, mas queria que soubessem que vocês estavam no meu coração o tempo todo. O celular não funcionava direito e a internet não existia na minha vida, mas meus amigos povoaram meu coração na passagem do 24 ao 25, naquele momento especial, desejei a todos que moram no meu coração um Natal especial, com tudo de bom que o Natal pode, e deve, ter.
Vamos ver o que mais eu trago para cá!
Beijos a todos!
Depois de alguns dias, uns de descanso e outros nem tanto, estou de volta à ativa. Pensei em milhões de coisas que poderia escrever aqui, mas não tinha internet disponível... Aos pouquinhos, vou passar meus pensamentos da caixola à telinha.
Primeiramente, só queria dizer que espero que todos tenham tido um Natal maravilhoso, repleto de luz e paz. Não mandei mensagem bonitinha esse ano, mas queria que soubessem que vocês estavam no meu coração o tempo todo. O celular não funcionava direito e a internet não existia na minha vida, mas meus amigos povoaram meu coração na passagem do 24 ao 25, naquele momento especial, desejei a todos que moram no meu coração um Natal especial, com tudo de bom que o Natal pode, e deve, ter.
Vamos ver o que mais eu trago para cá!
Beijos a todos!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Desabafo
É engraçado como algumas pessoas entram na nossa vida sem que a gente nem perceba como. Aos poucos elas passam a ocupar um grande espaço no nosso coração e nos nossos pensamentos.
É aos pouquinhos que elas ganham número na discagem rápida no celular, ganham foto no quadro de ímã, ganham e-mails às tardes, ganham apelido, ganham cartão do garfield comentando a idade no aniversário, ganham caronas para festas e eventos, ganham guardanapo cheio de planos e perspectivas, ganham atenção cada vez maior. Em um átimo, essas pessoas viram companhia para a caminhada de domingo, viram alvo preferido de provocações, viram melhores amigos.
Parece tudo ter acontecido de repente mesmo. A gente mal se falava, e, de repente, você é uma das pessoas em quem mais confio no mundo. Eu ainda confundia você e o outro mocinho com o mesmo apelido, agora, você e eu somos como que inseparáveis.
E o que fazer quando essa pessoa quer ir embora? Alguém cuja distância não agüentamos por uma semana, de repente, resolve ir embora por anos, 5 no mínimo. Eu tento fingir que está tudo bem, tento fazer piadas a todos a respeito disso, mas, a verdade é que, se for embora, sei que ele levará para longe um pedaço de minha alma.
Quem vai aprender línguas estranhas comigo? Para quem eu vou ligar quando não tiver o que fazer? Quem vai me falar sobre Paris? Na casa de quem em vou almoçar no primeiro final de semana de outubro de 2008? Com quem eu vou caminhar no domingo? Quem vai ouvir minhas teorias? Quem vai me falar para relevar muita coisa que está errada no mundo, e muitas pessoas também? Eu vou espalhar para a turma o aniversário de quem? Com quem eu vou procurar baladas em dia de semana em cidades desconhecidas? Quem vai dividir vinho comigo nas viagens da turma?
Eu até estou acostumada com esse tipo de abandono, mas nunca soube lidar muito bem com isso. Não sei se isso é algo que se aprende ou aperfeiçoa com a prática. Enfim, o jeito é torcer para que os 5 anos (ou mais) passem rápido e que ainda nos encontremos pelo correr da vida.
É aos pouquinhos que elas ganham número na discagem rápida no celular, ganham foto no quadro de ímã, ganham e-mails às tardes, ganham apelido, ganham cartão do garfield comentando a idade no aniversário, ganham caronas para festas e eventos, ganham guardanapo cheio de planos e perspectivas, ganham atenção cada vez maior. Em um átimo, essas pessoas viram companhia para a caminhada de domingo, viram alvo preferido de provocações, viram melhores amigos.
Parece tudo ter acontecido de repente mesmo. A gente mal se falava, e, de repente, você é uma das pessoas em quem mais confio no mundo. Eu ainda confundia você e o outro mocinho com o mesmo apelido, agora, você e eu somos como que inseparáveis.
E o que fazer quando essa pessoa quer ir embora? Alguém cuja distância não agüentamos por uma semana, de repente, resolve ir embora por anos, 5 no mínimo. Eu tento fingir que está tudo bem, tento fazer piadas a todos a respeito disso, mas, a verdade é que, se for embora, sei que ele levará para longe um pedaço de minha alma.
Quem vai aprender línguas estranhas comigo? Para quem eu vou ligar quando não tiver o que fazer? Quem vai me falar sobre Paris? Na casa de quem em vou almoçar no primeiro final de semana de outubro de 2008? Com quem eu vou caminhar no domingo? Quem vai ouvir minhas teorias? Quem vai me falar para relevar muita coisa que está errada no mundo, e muitas pessoas também? Eu vou espalhar para a turma o aniversário de quem? Com quem eu vou procurar baladas em dia de semana em cidades desconhecidas? Quem vai dividir vinho comigo nas viagens da turma?
Eu até estou acostumada com esse tipo de abandono, mas nunca soube lidar muito bem com isso. Não sei se isso é algo que se aprende ou aperfeiçoa com a prática. Enfim, o jeito é torcer para que os 5 anos (ou mais) passem rápido e que ainda nos encontremos pelo correr da vida.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Algumas noites a mais
Quando chegou em casa, Sabrina já estava dormindo. Gustavo pensou, então, que deveria passar mais tempo em casa. Fazia já alguns dias que não conversava com sua esposa: sempre chegava tarde, e ela já estava dormindo, e saía cedo, e ela ainda não acordara.
Tirou a roupa do trabalho, tomou um banho e vestiu o pijama. Sentou-se na cama e ficou observando sua bela esposa deitada, imóvel, sobre o leito, com sua camisola de cetim florida, a mesma que usava todas as noites. Deitou-se a seu lado e adormeceu.
No dia seguinte, acordou cedo como sempre. Estranhou o fato de Sabrina não reclamar do despertador, mas não pensou muito sobre isso. Trocou de roupa para ir ao trabalho. Percebeu que a pilha de roupa suja aumentava a cada dia - apenas com suas roupas - mas, como isso era preocupação de Sabrina, não mais pensou nisso.
Foi para o trabalho e enfrentou mais um dia estressante de trabalho, para, ao final do dia, encontrar a mesma Sabrina adormecida com a mesma camisola florida, na mesma posição em sua cama.
Essa mesma história se repetiu no dia seguinte e no outro. Na quarta noite, durante o banho, o telefone tocou. Gustavo pediu que Sabrina atendesse, mas ela continuava impassível. Ele, então, ao sair do banho, perguntou-lhe porque ela não atendera. Ela continuava imóvel.
Ele aproximou-se dela e sentiu-lhe a face, para ver se ela parecia ter febre, mas sua testa estava gélida como o mármore. Quis sentir-lhe o pulso, mas não o encontrava... Apavorado, chamou uma ambulância, que chegou rapidamente. Os pára-médicos entraram no quarto e, antes mesmo de ver a mulher, disseram a Gustavo que, a julgar pelo cheiro, ela parecia já ter morrido há alguns dias.
Só então, Gustavo refletiu sobre o que ocorrera. Como chegaram ao ponto de ter tão pouco contato e diálogo. No início de seu casamento, não havia um só dia em que não se falavam, não se beijavam. Os problemas, o trabalho, alguma coisa aconteceu e afastou o casal de tal modo que nem a morte foi percebida. Não é porque estava morta que Sabrina não falava com Gustavo quando ele chegava do trabalho, ela agia dessa forma havia alguns anos. Ele se acostumou ao fato de ela fingir estar dormindo para não falar com ele e respeitou esse silêncio. Não era maldade, era a certeza de que, se se falassem, discutiriam. E ambos já estavam cansados de discutir todas as noites.
Gustavo, por menos que visse sua esposa, amava-a mais que qualquer coisa. Sabrina também o amava, mas não suportava mais a ausência do marido e a falta de diálogo entre eles. No fim das contas, ela morreu sem que um pudesse dizer ao outro tudo aquilo que ficara esquecido ao longo dos anos, tudo o que era importante e não era dito. Tudo o que ficara escondido por trás das palavras rudes, das ofensas e dos gritos.
Por algumas noites, Gustavo acreditou estar tudo como sempre esteve. Por algumas noites, Sabrina estava lá e isso lhe dava segurança. Mas, só segurança não é o bastante. Faltava algo naquela Sabrina, faltava o que Gustavo mais apreciava nela: a vida. Por algumas noites a mais, Sabrina viveu sem ter vivido e isso foi o suficiente para Gustavo refletir sobre sua vida, sua esposa e a saudade que ele sempre sentiria dela.
Tirou a roupa do trabalho, tomou um banho e vestiu o pijama. Sentou-se na cama e ficou observando sua bela esposa deitada, imóvel, sobre o leito, com sua camisola de cetim florida, a mesma que usava todas as noites. Deitou-se a seu lado e adormeceu.
No dia seguinte, acordou cedo como sempre. Estranhou o fato de Sabrina não reclamar do despertador, mas não pensou muito sobre isso. Trocou de roupa para ir ao trabalho. Percebeu que a pilha de roupa suja aumentava a cada dia - apenas com suas roupas - mas, como isso era preocupação de Sabrina, não mais pensou nisso.
Foi para o trabalho e enfrentou mais um dia estressante de trabalho, para, ao final do dia, encontrar a mesma Sabrina adormecida com a mesma camisola florida, na mesma posição em sua cama.
Essa mesma história se repetiu no dia seguinte e no outro. Na quarta noite, durante o banho, o telefone tocou. Gustavo pediu que Sabrina atendesse, mas ela continuava impassível. Ele, então, ao sair do banho, perguntou-lhe porque ela não atendera. Ela continuava imóvel.
Ele aproximou-se dela e sentiu-lhe a face, para ver se ela parecia ter febre, mas sua testa estava gélida como o mármore. Quis sentir-lhe o pulso, mas não o encontrava... Apavorado, chamou uma ambulância, que chegou rapidamente. Os pára-médicos entraram no quarto e, antes mesmo de ver a mulher, disseram a Gustavo que, a julgar pelo cheiro, ela parecia já ter morrido há alguns dias.
Só então, Gustavo refletiu sobre o que ocorrera. Como chegaram ao ponto de ter tão pouco contato e diálogo. No início de seu casamento, não havia um só dia em que não se falavam, não se beijavam. Os problemas, o trabalho, alguma coisa aconteceu e afastou o casal de tal modo que nem a morte foi percebida. Não é porque estava morta que Sabrina não falava com Gustavo quando ele chegava do trabalho, ela agia dessa forma havia alguns anos. Ele se acostumou ao fato de ela fingir estar dormindo para não falar com ele e respeitou esse silêncio. Não era maldade, era a certeza de que, se se falassem, discutiriam. E ambos já estavam cansados de discutir todas as noites.
Gustavo, por menos que visse sua esposa, amava-a mais que qualquer coisa. Sabrina também o amava, mas não suportava mais a ausência do marido e a falta de diálogo entre eles. No fim das contas, ela morreu sem que um pudesse dizer ao outro tudo aquilo que ficara esquecido ao longo dos anos, tudo o que era importante e não era dito. Tudo o que ficara escondido por trás das palavras rudes, das ofensas e dos gritos.
Por algumas noites, Gustavo acreditou estar tudo como sempre esteve. Por algumas noites, Sabrina estava lá e isso lhe dava segurança. Mas, só segurança não é o bastante. Faltava algo naquela Sabrina, faltava o que Gustavo mais apreciava nela: a vida. Por algumas noites a mais, Sabrina viveu sem ter vivido e isso foi o suficiente para Gustavo refletir sobre sua vida, sua esposa e a saudade que ele sempre sentiria dela.
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