Hoje, eu ouvi uma frase que me chocou um pouco. Um sujeito disse: "Quando todo mundo faz tudo errado, se você faz a coisa certa, você é o errado!" A frase, por si só, já me seria um pouco estarrecedora, mas, sabendo de algumas coisas completamente erradas que o moço fizera, isso me assustou ainda mais.
Será que chegamos mesmo a esse ponto? Não existirá mais a autodeterminação dos povos e das pessoas? O que terá acontecido à autenticidade, à integridade, à sinceridade e a outros "dades" que regiam nosso mundo e governavam nossa conduta?
Talvez a civilização tenha mesmo entrado em um visível processo de declínio em aspectos culturais (assunto para outra ocasião) e morais. Parece que voltamos ao mundo de Hobbes (se é que chegamos a sair dele em algum momento) e todos só querem mais e mais. Como diria Webber (e hoje bateu alguma coisa aqui que me fez lembrar a faculdade), mais prestígio, mais riqueza e mais poder.
O pensamento geral é: "Se todos estão tirando vantagem nisso, por que eu não posso fazer o mesmo?" Todos querem viver à custa dos outros. Cada um quer o seu quinhão, a sua sinecura. Não se valoriza mais as características das pessoas, o caráter, os valores, apenas os rendimentos. E, vendo que a sociedade, como um todo, pensa assim, as pessoas começam a pensar da mesma forma, o que gera um círculo vicioso.
Mas, será que nós podemos mudar essa situação? Eu, do alto do meu idealismo, achava que sim. Sempre pensei que as pessoas deveriam fazer o que elas realmente achassem certo, sem se importar com o que os outros diriam. Em alguns casos, cria eu, deve-se impor a nossa opinião e devemos adotar atitudes condizentes com nossos pensamentos. Mas, nem eu mesma consigo fazer isso.
Por exemplo, (só para eu falar um pouquinho mais de mim...) eu faço um curso de ... (não interessa do que é o curso, basta saber que eu faço um). Meus colegas, pelo menos a maioria esmagadora de 95%, não gostam nem um pouco do curso e só apontam defeitos. Por outro lado, euzinha, apesar de saber dos pontos falhos que existem (afinal, o que nesse mundão não tem pontos falhos?), gosto muito de lá. Acho que foi um local que me proporcionou um crescimento tremendo como pessoa e onde eu aprendi muitas coisas, algumas úteis, outras interessantes, outras nem isso nem aquilo. Mas, no final, para mim, o saldo foi muito positivo.
Ao invés de defender com unhas e dentes minha posição - talvez um pouco conformista - e dizer que tem coisas muito boas lá, prefiro calar-me ou mesmo concordar quando dizem que não é bom. No início, lembro que tentava expressar meu ponto de vista favorável, mas, cansada de ser a única voz dissonante no deserto, achei mais fácil concordar, para ser aceita como pessoa normal e integrar o grupo dos que não gostam.
Antígona não teria feito o mesmo. Ela preferiu desafiar seu tio-rei e toda a cidade e fazer o que achava certo, ganhando, como recompensa, a morte. Isso é um valor que deveríamos resgatar! O empenho por uma causa que consideramos justa e certa, chegando ao extremo de sacrificar nossa vida por isso. Se tivéssemos essa mesma força de caráter, ao ver algo errado, mesmo que generalizado, faríamos de tudo para mudar a situação e não copiaríamos o erro para também tirar nossa vantagem.
Reconheço esse espírito em algumas pessoas que me cercam e fico feliz por saber que existe gente assim. Se essas pessoas puderem passar isso para o resto do mundo (começando por mim), talvez, possamos sair desse abismo moral em que estamos há quase um século, na minha humilde opinião. Se o mundo então será melhor para se viver, não sei, mas acredito que as pessoas serão melhores, com mais caráter, mais valores e mais moral. E o resto; bem, como diria Shakespeare, o resto é silêncio!
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário