Um dia desses, estava revendo o filme "Sissi" (que é uma graça, recomendo!). Uma das cenas mostrava um baile da corte austríaca, a mais chique da época. Notei uma coisa de que já desconfiava havia algum tempo: mulheres chiques não usam luvas e anéis, mas quase todas usavam luvas e pulseiras.
Pensei em uma menina que conheci há bastante tempo, que costumava dizer que não se podia ter tudo no mundo, que não se podia, por exemplo, usar luvas e anéis. Realmente, esses são um tanto incompatíveis, mas, nem tudo está perdido, ainda restam as pulseiras.
Às vezes, aquilo que a gente quer, ou acha que quer, não é o melhor para a gente - afinal, o anel, devido ao volume extra que a luva faz no dedo, passa a não mais caber. Por isso, o melhor, é procurar uma outra alternativa, como pulseiras, que ficam muito melhor com a luva e ficam incrivelmente glamourosas.
Queria poder dizer isso a essa menina. Queria dizer que, em um aspecto, ela está certa, não se pode ter tudo. Mas, isso não é o fim do mundo. Se, por um lado, anel não pode, por outro, há alternativas, que, apesar de não parecer à primeira vista, são melhores, mais bonitas e mais interessantes.
Acima de tudo, queria dizer que os anéis podem ir embora, talvez por muito tempo, talvez para sempre, mas os dedos sempre ficam. Dedos ansiosos por novas luvas e por pulseiras.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Volta e votos.
Voltei!
Depois de alguns dias, uns de descanso e outros nem tanto, estou de volta à ativa. Pensei em milhões de coisas que poderia escrever aqui, mas não tinha internet disponível... Aos pouquinhos, vou passar meus pensamentos da caixola à telinha.
Primeiramente, só queria dizer que espero que todos tenham tido um Natal maravilhoso, repleto de luz e paz. Não mandei mensagem bonitinha esse ano, mas queria que soubessem que vocês estavam no meu coração o tempo todo. O celular não funcionava direito e a internet não existia na minha vida, mas meus amigos povoaram meu coração na passagem do 24 ao 25, naquele momento especial, desejei a todos que moram no meu coração um Natal especial, com tudo de bom que o Natal pode, e deve, ter.
Vamos ver o que mais eu trago para cá!
Beijos a todos!
Depois de alguns dias, uns de descanso e outros nem tanto, estou de volta à ativa. Pensei em milhões de coisas que poderia escrever aqui, mas não tinha internet disponível... Aos pouquinhos, vou passar meus pensamentos da caixola à telinha.
Primeiramente, só queria dizer que espero que todos tenham tido um Natal maravilhoso, repleto de luz e paz. Não mandei mensagem bonitinha esse ano, mas queria que soubessem que vocês estavam no meu coração o tempo todo. O celular não funcionava direito e a internet não existia na minha vida, mas meus amigos povoaram meu coração na passagem do 24 ao 25, naquele momento especial, desejei a todos que moram no meu coração um Natal especial, com tudo de bom que o Natal pode, e deve, ter.
Vamos ver o que mais eu trago para cá!
Beijos a todos!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Desabafo
É engraçado como algumas pessoas entram na nossa vida sem que a gente nem perceba como. Aos poucos elas passam a ocupar um grande espaço no nosso coração e nos nossos pensamentos.
É aos pouquinhos que elas ganham número na discagem rápida no celular, ganham foto no quadro de ímã, ganham e-mails às tardes, ganham apelido, ganham cartão do garfield comentando a idade no aniversário, ganham caronas para festas e eventos, ganham guardanapo cheio de planos e perspectivas, ganham atenção cada vez maior. Em um átimo, essas pessoas viram companhia para a caminhada de domingo, viram alvo preferido de provocações, viram melhores amigos.
Parece tudo ter acontecido de repente mesmo. A gente mal se falava, e, de repente, você é uma das pessoas em quem mais confio no mundo. Eu ainda confundia você e o outro mocinho com o mesmo apelido, agora, você e eu somos como que inseparáveis.
E o que fazer quando essa pessoa quer ir embora? Alguém cuja distância não agüentamos por uma semana, de repente, resolve ir embora por anos, 5 no mínimo. Eu tento fingir que está tudo bem, tento fazer piadas a todos a respeito disso, mas, a verdade é que, se for embora, sei que ele levará para longe um pedaço de minha alma.
Quem vai aprender línguas estranhas comigo? Para quem eu vou ligar quando não tiver o que fazer? Quem vai me falar sobre Paris? Na casa de quem em vou almoçar no primeiro final de semana de outubro de 2008? Com quem eu vou caminhar no domingo? Quem vai ouvir minhas teorias? Quem vai me falar para relevar muita coisa que está errada no mundo, e muitas pessoas também? Eu vou espalhar para a turma o aniversário de quem? Com quem eu vou procurar baladas em dia de semana em cidades desconhecidas? Quem vai dividir vinho comigo nas viagens da turma?
Eu até estou acostumada com esse tipo de abandono, mas nunca soube lidar muito bem com isso. Não sei se isso é algo que se aprende ou aperfeiçoa com a prática. Enfim, o jeito é torcer para que os 5 anos (ou mais) passem rápido e que ainda nos encontremos pelo correr da vida.
É aos pouquinhos que elas ganham número na discagem rápida no celular, ganham foto no quadro de ímã, ganham e-mails às tardes, ganham apelido, ganham cartão do garfield comentando a idade no aniversário, ganham caronas para festas e eventos, ganham guardanapo cheio de planos e perspectivas, ganham atenção cada vez maior. Em um átimo, essas pessoas viram companhia para a caminhada de domingo, viram alvo preferido de provocações, viram melhores amigos.
Parece tudo ter acontecido de repente mesmo. A gente mal se falava, e, de repente, você é uma das pessoas em quem mais confio no mundo. Eu ainda confundia você e o outro mocinho com o mesmo apelido, agora, você e eu somos como que inseparáveis.
E o que fazer quando essa pessoa quer ir embora? Alguém cuja distância não agüentamos por uma semana, de repente, resolve ir embora por anos, 5 no mínimo. Eu tento fingir que está tudo bem, tento fazer piadas a todos a respeito disso, mas, a verdade é que, se for embora, sei que ele levará para longe um pedaço de minha alma.
Quem vai aprender línguas estranhas comigo? Para quem eu vou ligar quando não tiver o que fazer? Quem vai me falar sobre Paris? Na casa de quem em vou almoçar no primeiro final de semana de outubro de 2008? Com quem eu vou caminhar no domingo? Quem vai ouvir minhas teorias? Quem vai me falar para relevar muita coisa que está errada no mundo, e muitas pessoas também? Eu vou espalhar para a turma o aniversário de quem? Com quem eu vou procurar baladas em dia de semana em cidades desconhecidas? Quem vai dividir vinho comigo nas viagens da turma?
Eu até estou acostumada com esse tipo de abandono, mas nunca soube lidar muito bem com isso. Não sei se isso é algo que se aprende ou aperfeiçoa com a prática. Enfim, o jeito é torcer para que os 5 anos (ou mais) passem rápido e que ainda nos encontremos pelo correr da vida.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Algumas noites a mais
Quando chegou em casa, Sabrina já estava dormindo. Gustavo pensou, então, que deveria passar mais tempo em casa. Fazia já alguns dias que não conversava com sua esposa: sempre chegava tarde, e ela já estava dormindo, e saía cedo, e ela ainda não acordara.
Tirou a roupa do trabalho, tomou um banho e vestiu o pijama. Sentou-se na cama e ficou observando sua bela esposa deitada, imóvel, sobre o leito, com sua camisola de cetim florida, a mesma que usava todas as noites. Deitou-se a seu lado e adormeceu.
No dia seguinte, acordou cedo como sempre. Estranhou o fato de Sabrina não reclamar do despertador, mas não pensou muito sobre isso. Trocou de roupa para ir ao trabalho. Percebeu que a pilha de roupa suja aumentava a cada dia - apenas com suas roupas - mas, como isso era preocupação de Sabrina, não mais pensou nisso.
Foi para o trabalho e enfrentou mais um dia estressante de trabalho, para, ao final do dia, encontrar a mesma Sabrina adormecida com a mesma camisola florida, na mesma posição em sua cama.
Essa mesma história se repetiu no dia seguinte e no outro. Na quarta noite, durante o banho, o telefone tocou. Gustavo pediu que Sabrina atendesse, mas ela continuava impassível. Ele, então, ao sair do banho, perguntou-lhe porque ela não atendera. Ela continuava imóvel.
Ele aproximou-se dela e sentiu-lhe a face, para ver se ela parecia ter febre, mas sua testa estava gélida como o mármore. Quis sentir-lhe o pulso, mas não o encontrava... Apavorado, chamou uma ambulância, que chegou rapidamente. Os pára-médicos entraram no quarto e, antes mesmo de ver a mulher, disseram a Gustavo que, a julgar pelo cheiro, ela parecia já ter morrido há alguns dias.
Só então, Gustavo refletiu sobre o que ocorrera. Como chegaram ao ponto de ter tão pouco contato e diálogo. No início de seu casamento, não havia um só dia em que não se falavam, não se beijavam. Os problemas, o trabalho, alguma coisa aconteceu e afastou o casal de tal modo que nem a morte foi percebida. Não é porque estava morta que Sabrina não falava com Gustavo quando ele chegava do trabalho, ela agia dessa forma havia alguns anos. Ele se acostumou ao fato de ela fingir estar dormindo para não falar com ele e respeitou esse silêncio. Não era maldade, era a certeza de que, se se falassem, discutiriam. E ambos já estavam cansados de discutir todas as noites.
Gustavo, por menos que visse sua esposa, amava-a mais que qualquer coisa. Sabrina também o amava, mas não suportava mais a ausência do marido e a falta de diálogo entre eles. No fim das contas, ela morreu sem que um pudesse dizer ao outro tudo aquilo que ficara esquecido ao longo dos anos, tudo o que era importante e não era dito. Tudo o que ficara escondido por trás das palavras rudes, das ofensas e dos gritos.
Por algumas noites, Gustavo acreditou estar tudo como sempre esteve. Por algumas noites, Sabrina estava lá e isso lhe dava segurança. Mas, só segurança não é o bastante. Faltava algo naquela Sabrina, faltava o que Gustavo mais apreciava nela: a vida. Por algumas noites a mais, Sabrina viveu sem ter vivido e isso foi o suficiente para Gustavo refletir sobre sua vida, sua esposa e a saudade que ele sempre sentiria dela.
Tirou a roupa do trabalho, tomou um banho e vestiu o pijama. Sentou-se na cama e ficou observando sua bela esposa deitada, imóvel, sobre o leito, com sua camisola de cetim florida, a mesma que usava todas as noites. Deitou-se a seu lado e adormeceu.
No dia seguinte, acordou cedo como sempre. Estranhou o fato de Sabrina não reclamar do despertador, mas não pensou muito sobre isso. Trocou de roupa para ir ao trabalho. Percebeu que a pilha de roupa suja aumentava a cada dia - apenas com suas roupas - mas, como isso era preocupação de Sabrina, não mais pensou nisso.
Foi para o trabalho e enfrentou mais um dia estressante de trabalho, para, ao final do dia, encontrar a mesma Sabrina adormecida com a mesma camisola florida, na mesma posição em sua cama.
Essa mesma história se repetiu no dia seguinte e no outro. Na quarta noite, durante o banho, o telefone tocou. Gustavo pediu que Sabrina atendesse, mas ela continuava impassível. Ele, então, ao sair do banho, perguntou-lhe porque ela não atendera. Ela continuava imóvel.
Ele aproximou-se dela e sentiu-lhe a face, para ver se ela parecia ter febre, mas sua testa estava gélida como o mármore. Quis sentir-lhe o pulso, mas não o encontrava... Apavorado, chamou uma ambulância, que chegou rapidamente. Os pára-médicos entraram no quarto e, antes mesmo de ver a mulher, disseram a Gustavo que, a julgar pelo cheiro, ela parecia já ter morrido há alguns dias.
Só então, Gustavo refletiu sobre o que ocorrera. Como chegaram ao ponto de ter tão pouco contato e diálogo. No início de seu casamento, não havia um só dia em que não se falavam, não se beijavam. Os problemas, o trabalho, alguma coisa aconteceu e afastou o casal de tal modo que nem a morte foi percebida. Não é porque estava morta que Sabrina não falava com Gustavo quando ele chegava do trabalho, ela agia dessa forma havia alguns anos. Ele se acostumou ao fato de ela fingir estar dormindo para não falar com ele e respeitou esse silêncio. Não era maldade, era a certeza de que, se se falassem, discutiriam. E ambos já estavam cansados de discutir todas as noites.
Gustavo, por menos que visse sua esposa, amava-a mais que qualquer coisa. Sabrina também o amava, mas não suportava mais a ausência do marido e a falta de diálogo entre eles. No fim das contas, ela morreu sem que um pudesse dizer ao outro tudo aquilo que ficara esquecido ao longo dos anos, tudo o que era importante e não era dito. Tudo o que ficara escondido por trás das palavras rudes, das ofensas e dos gritos.
Por algumas noites, Gustavo acreditou estar tudo como sempre esteve. Por algumas noites, Sabrina estava lá e isso lhe dava segurança. Mas, só segurança não é o bastante. Faltava algo naquela Sabrina, faltava o que Gustavo mais apreciava nela: a vida. Por algumas noites a mais, Sabrina viveu sem ter vivido e isso foi o suficiente para Gustavo refletir sobre sua vida, sua esposa e a saudade que ele sempre sentiria dela.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Saber ou não saber? Eis a questão!
Tenho uma teoria (na verdade, tenho muitas, elas até assustam às vezes...) de que, se as pessoas sabem que uma coisa ruim vai acontecer, elas fazem de tudo para evitar, e é justamente nesse afã de evitar que elas acabam permitindo que isso aconteça. Veja Édipo, por exemplo. Se os pais dele não o tivessem levado ao oráculo, que disse que o menino, ao crescer, mataria o pai e desposaria a mãe, não o teriam abandonado na floresta, de onde foi resgatado e criado como pastor. Anos mais tarde, durante uma viagem, esse pastor mata um senhor na estrada (seu pai) e decifra o enigma da Esfinge, livrando toda Tebas do jugo desse monstro. Como forma de gratidão, a rainha da cidade (sua mãe) é oferecida em matrimônio a ele... Se não tivessem sabido da previsão, nada disso teria ocorrido, pois ele não teria brigado com o pai no meio da estrada e não se casaria com sua mãe.
Essa idéia sempre foi muito clara para mim (não sei ainda o que os outros acham dela ). Vejo evidências disso que chamo teoria em filmes como Premonições (com Sandra Bullock), em peças de Shakespeare (Macbeth) e alguns outros filmes e livros que não lembro agora.
Mas, será que isso funciona só em relação a um conhecimento antecipado do futuro ou qualquer informação privilegiada pode levar a um desastre? Será que, às vezes, a ignorância é mesmo uma benção?
Se a gente descobre uma pequena informação que poderia mudar muita coisa ao nosso redor, nossa percepção do redor muda, ainda que ele exatamente não tenha mudado. OK, isso está estranho até para mim... Mas, basicamente é isso mesmo. Deixe-me tentar destrinchar esse pensamento e apresentá-lo aos poucos:
A realidade não vai mudar apenas com base na mudança de uma variável. É preciso toda uma conjunção de fatores para ocasionar uma mudança substancial no mundo que nos cerca. No entanto, ao sabermos da mudança dessa pequena variável, que como andorinha só, não muda nada, ou muda pouco, toda a nossa percepção da realidade se transforma. Não é o mundo que muda, são nossos olhos.
Como um "sim" que, há duas semanas, parecia tão irrelevante e comum pôde transformar tudo tão rapidamente? Como agora, por conta de uma frase, tenho que ficar me policiando para não deixar ninguém ver algo que nem eu mesma vejo? Como agora, mesmo que eu tente ajudar, eu posso atrapalhar tudo e ferir pessoas por quem eu tenho um carinho imenso?
De repente são os chineses que, com sua sabedoria milenar, estão, mais uma vez, certos sobre tudo. Talvez seja mesmo melhor não querer que seu desejo se realize. Às vezes, ao invés de perguntar, devemos permanecer quietos, esperando o momento em que a informação virá, afinal, ela vai vir de uma maneira ou de outra. Mas, se não perguntarmos, ela vem na hora certa, na hora em que vai se juntar a outras ocasiões e fatores e todas as andorinhas, juntas, poderão voar e fazer seu verão acontecer.
Essa idéia sempre foi muito clara para mim (não sei ainda o que os outros acham dela ). Vejo evidências disso que chamo teoria em filmes como Premonições (com Sandra Bullock), em peças de Shakespeare (Macbeth) e alguns outros filmes e livros que não lembro agora.
Mas, será que isso funciona só em relação a um conhecimento antecipado do futuro ou qualquer informação privilegiada pode levar a um desastre? Será que, às vezes, a ignorância é mesmo uma benção?
Se a gente descobre uma pequena informação que poderia mudar muita coisa ao nosso redor, nossa percepção do redor muda, ainda que ele exatamente não tenha mudado. OK, isso está estranho até para mim... Mas, basicamente é isso mesmo. Deixe-me tentar destrinchar esse pensamento e apresentá-lo aos poucos:
A realidade não vai mudar apenas com base na mudança de uma variável. É preciso toda uma conjunção de fatores para ocasionar uma mudança substancial no mundo que nos cerca. No entanto, ao sabermos da mudança dessa pequena variável, que como andorinha só, não muda nada, ou muda pouco, toda a nossa percepção da realidade se transforma. Não é o mundo que muda, são nossos olhos.
Como um "sim" que, há duas semanas, parecia tão irrelevante e comum pôde transformar tudo tão rapidamente? Como agora, por conta de uma frase, tenho que ficar me policiando para não deixar ninguém ver algo que nem eu mesma vejo? Como agora, mesmo que eu tente ajudar, eu posso atrapalhar tudo e ferir pessoas por quem eu tenho um carinho imenso?
De repente são os chineses que, com sua sabedoria milenar, estão, mais uma vez, certos sobre tudo. Talvez seja mesmo melhor não querer que seu desejo se realize. Às vezes, ao invés de perguntar, devemos permanecer quietos, esperando o momento em que a informação virá, afinal, ela vai vir de uma maneira ou de outra. Mas, se não perguntarmos, ela vem na hora certa, na hora em que vai se juntar a outras ocasiões e fatores e todas as andorinhas, juntas, poderão voar e fazer seu verão acontecer.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Seguir em frente, sem olhar para trás
A saída
Gabriela estava só em uma cidade desconhecida. Deixara para trás a família, já desagregada antes disso, os amigos e o namorado, Daniel. Partiu em busca de um futuro melhor, de uma chance de construir sua própria vida e, finalmente, ser alguém.
Era a primeira vez que saía de casa. A adaptação foi muito difícil. Tudo lhe era estranho. Demorou a acostumar-se aos nomes das rua, ao tipo de gente, aos novos hábitos, ao novo apartamento, ao engarrafamento, à rotina nova que em nada lembrava a antiga e, principalmente, à saudade e ao vazio que nunca sentira antes.
Tentou construir suas raízes na nova cidade, mas logo percebeu que as suas já eram por demais profundas e não havia meios de transplantá-las. Não obstante, tentou se habituar a essa nova vida. Fez amizades no trabalho e essas lhe bastavam. Saía apenas com esses, não tinha necessidade de mais.
Esses amigos, na verdade, alguns deles tornaram-se confidentes. Era a eles que Gabriela falava da saudade que sentia da família e de Daniel. Ela tentava substituir a ausência dos que ficaram com os que chegaram agora. Logo, ela percebe que isso não basta. Resolve juntar dinheiro e voltar para sua cidade, não para sempre, mas para rever a vida que ficara para trás e matar um pouco da saudade que lhe assolava o coração e impedia seu sono tranqüilo.
A volta
Volta à sua cidade, mas percebe que tudo mudou. Na verdade, tudo está igual ao que sempre foi, ela é que mudou e achou que seu mundo mudaria também. Sua família, que ela pensava que estaria diferente, como a de seus amigos da nova cidade, continuava com os mesmos problemas, com a mesma desagregação. Daniel estava diferente do que Gabriela esperava. Ela mudara tanto na nova cidade, com os novos amigos e com a nova vida, que logo percebeu o quanto eles se tornaram incompatíveis. Seus amigos antigos lhe pareciam todos iguais e igual ao que sempre foram. Nenhuma novidade, nenhuma aventura, nenhuma ambição. Tudo sempre igual, quando ela queria sempre mais.
A revolta
Tomou a única decisão que lhe pareceu certa no momento: cortou suas raízes e decidiu criá-las em outro lugar. Deu adeus definitivo a tudo e a todos na cidade antiga. Esqueceu-se da vida que lhe precedera e adotou a nova cidade como a SUA cidade. Arranjou um novo amor, que lhe parecia muito melhor que Daniel, de quem ela mal lembrava o nome. Adotou seus novos amigos como os únicos.
Como a boa filha que sempre foi, ligava para seus pai todo domingo, por obrigação. Foi também por obrigação que se impunha voltar para casa no Natal, mas só durante três dias por ano. Os outros, ela reservava para sua vida nova, cheia de aventura, entusiasmo, emoção e amigos.
A reviravolta
Aos longo dos anos, porém, sua nova vida lhe pareceu um pouco vazia. Já estava casada com Ricardo, mas ainda sentia um tremor por dentro ao ouvir o nome Daniel. Seu trabalho, que, de início, ela adorava, começou a parecer-lhe vazio de significado. Seus amigos mostraram sua verdadeira e cruel faceta.
Começou com uma possibilidade de promoção. Ao saber dessa chance pelo chefe da empresa, contou logo aos seus amigos, os mesmo que eram seus confidentes anos atrás. Ao invés de eles torcerem por ela, como ela pensou que seria, eles se mostraram invejosos de seu sucesso. Logo Gabriela descobriu, que esses "amigos" estavam querendo essa promoção também. O problema foi quando eles não apenas queriam a promoção, como faziam de tudo para que ela não a ganhasse. Ricardo, quando procurado por Gabriela, que precisava de seu apoio e carinho, recusou-se a ajudá-la, pois estaria por demais ocupado naquela noite.
Naquela noite, ela chegou em sua casa grande e bem decorada e sentiu-se sozinha, como quando chegara na cidade pela primeira vez. Olhou à sua volta e não reconhecia mais seu quarto azul claro com detalhes amarelos, pelo qual ela sempre discutia com os pais, que diziam que quarto azul era coisa de menino. Tudo era branco, com detalhes em preto e objetos de decoração prateados. Ela nunca gostou muito daquela decoração, mas, queria agradar Ricardo.
Por um momento pensa "Se fosse o Daniel, a casa seria como eu quisesse!". Foi a primeira vez, em muitos anos, que ela se lembrara do grande amor de tanto tempo atrás. Pensa em ligar para ele. Mas, o que diria? Além disso, o número ainda seria o mesmo?
Pega o telefone. Antes de ela começar a discar, fica olhando para o aparelho. Ele toca. Sente seu coração disparar diante daquela coincidência. Pensa que só pode ser Daniel, que eles ainda devem ter aquela telepatia compartilhada várias vezes antes. Não era, era Ricardo. Ele diz que precisa conversar sobre uma coisa importante com ela quando chegar em casa.
Ele chega e encontra Gabriela chorando. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela diz que não agüenta mais. Que tudo o que fez na vida foi errado e que já é muito tarde para tentar começar de novo. Ricardo tentar abraçar sua esposa, mas ela o afasta. Diz que a vida dela é vazia, que ela, em algum momento, perdeu sua essência e precisa reencontrá-la. Ao que Ricardo responde: "Ótimo, pois vá procurá-la sozinha, pois eu quero o divórcio!"
Após uma noite sem dormir e com os olhos inchados de tanto chorar - sem saber se foi pelo pedido de divórcio ou pela descoberta de seu vazia - Gabriela vai para o escritório e encontra um bilhete sobre sua mesa. Aquele papel parecia conter o futuro de Gabriela. Sua vida poderia ser decidida em algumas linhas, podia ser sua promoção (nesse momento, todos os medos da noite anterior se esvaneceram com a probabilidade do reconhecimento profissional). Abriu e leu, com o coração na mão. Dizia:
"Prezada Senhora Gabriela Albuquerque,
Recebemos, de sua colega Priscila Damasceno, importantes informações sobre seu comportamento que não condiz com o que a empresa acredita. A partir de hoje, a senhora pode se considerar desligada desta empresa.
Atenciosamente,
Leandro Oliveira
Diretor de Recursos Humanos"
Sem entender, pensou o que poderia ser e ligou para Priscila, sua melhor amiga e confidente. Ela não atendeu sua ligação. Agora que fora promovida, tinha uma secretária particular que atendia seus telefonemas, evitando que ela tivesse que falar com algumas pessoas. Ligou para um amigo no setor de recursos humanos e descobriu que essas informações se baseavam no fato de ela poder abandonar tudo sem remorsos, com ela fizera com a família e o namorado.
A redenção
Sozinha, divorciada, sem emprego, sem amigos, sem nada, ela volta para sua cidade e vê o que é verdadeiramente belo. Volta com outros olhos à sua cidade, não mais os olhos deslumbrados de outrora. Vê sua família que, apesar da leve discordância em alguns pontos superficiais, sempre se apóiam e se amam, garantindo a unidade de toda a família.
Gabriela é recebida como entusiasmo por seus amigos da juventude. Ela não é vista como uma fracassada, que não soube se adaptar ao mundo da cidade grande, mas como uma mártir do sistema, heroína de não haver perdido sua integridade. Ela poderia ter arranjado mil formas baixas e vis de manter seu emprego, mas não se rebaixou a isso, como fizeram seus colegas.
Gabriela tinha medo de rever Daniel. Ele poderia julgá-la de mil formas cruéis, mas seu julgamento era mais cruel do que os dele. No fundo, ele sabia que tudo isso aconteceria e que não tardaria muito a ela voltar e querer retomar sua vida. Daniel era um dos poucos que conhecia a verdadeira Gabriela, a que não gosta de mudanças e aventuras.
Gabriela ligou para Daniel, aos prantos, e pediu que ele a perdoasse por tudo, que ela havia arruinado a vida de ambos e perguntou se era muito tarde para tentar de novo. Na verdade, ela já sabia qual seria a resposta dele, e foi essa certeza que a fez ter coragem para ligar. Ele disse "Nunca é tarde para tentar de novo. Meu amor me fez esperar por você, pois sabia que um dia você voltaria para mim!"
Casaram-se, compraram uma casa que Gabriela decorou ao seu próprio gosto e fincaram, definitivamente, suas raízes naquela cidade que Gabriela tanto amara a vida inteira.
Gabriela estava só em uma cidade desconhecida. Deixara para trás a família, já desagregada antes disso, os amigos e o namorado, Daniel. Partiu em busca de um futuro melhor, de uma chance de construir sua própria vida e, finalmente, ser alguém.
Era a primeira vez que saía de casa. A adaptação foi muito difícil. Tudo lhe era estranho. Demorou a acostumar-se aos nomes das rua, ao tipo de gente, aos novos hábitos, ao novo apartamento, ao engarrafamento, à rotina nova que em nada lembrava a antiga e, principalmente, à saudade e ao vazio que nunca sentira antes.
Tentou construir suas raízes na nova cidade, mas logo percebeu que as suas já eram por demais profundas e não havia meios de transplantá-las. Não obstante, tentou se habituar a essa nova vida. Fez amizades no trabalho e essas lhe bastavam. Saía apenas com esses, não tinha necessidade de mais.
Esses amigos, na verdade, alguns deles tornaram-se confidentes. Era a eles que Gabriela falava da saudade que sentia da família e de Daniel. Ela tentava substituir a ausência dos que ficaram com os que chegaram agora. Logo, ela percebe que isso não basta. Resolve juntar dinheiro e voltar para sua cidade, não para sempre, mas para rever a vida que ficara para trás e matar um pouco da saudade que lhe assolava o coração e impedia seu sono tranqüilo.
A volta
Volta à sua cidade, mas percebe que tudo mudou. Na verdade, tudo está igual ao que sempre foi, ela é que mudou e achou que seu mundo mudaria também. Sua família, que ela pensava que estaria diferente, como a de seus amigos da nova cidade, continuava com os mesmos problemas, com a mesma desagregação. Daniel estava diferente do que Gabriela esperava. Ela mudara tanto na nova cidade, com os novos amigos e com a nova vida, que logo percebeu o quanto eles se tornaram incompatíveis. Seus amigos antigos lhe pareciam todos iguais e igual ao que sempre foram. Nenhuma novidade, nenhuma aventura, nenhuma ambição. Tudo sempre igual, quando ela queria sempre mais.
A revolta
Tomou a única decisão que lhe pareceu certa no momento: cortou suas raízes e decidiu criá-las em outro lugar. Deu adeus definitivo a tudo e a todos na cidade antiga. Esqueceu-se da vida que lhe precedera e adotou a nova cidade como a SUA cidade. Arranjou um novo amor, que lhe parecia muito melhor que Daniel, de quem ela mal lembrava o nome. Adotou seus novos amigos como os únicos.
Como a boa filha que sempre foi, ligava para seus pai todo domingo, por obrigação. Foi também por obrigação que se impunha voltar para casa no Natal, mas só durante três dias por ano. Os outros, ela reservava para sua vida nova, cheia de aventura, entusiasmo, emoção e amigos.
A reviravolta
Aos longo dos anos, porém, sua nova vida lhe pareceu um pouco vazia. Já estava casada com Ricardo, mas ainda sentia um tremor por dentro ao ouvir o nome Daniel. Seu trabalho, que, de início, ela adorava, começou a parecer-lhe vazio de significado. Seus amigos mostraram sua verdadeira e cruel faceta.
Começou com uma possibilidade de promoção. Ao saber dessa chance pelo chefe da empresa, contou logo aos seus amigos, os mesmo que eram seus confidentes anos atrás. Ao invés de eles torcerem por ela, como ela pensou que seria, eles se mostraram invejosos de seu sucesso. Logo Gabriela descobriu, que esses "amigos" estavam querendo essa promoção também. O problema foi quando eles não apenas queriam a promoção, como faziam de tudo para que ela não a ganhasse. Ricardo, quando procurado por Gabriela, que precisava de seu apoio e carinho, recusou-se a ajudá-la, pois estaria por demais ocupado naquela noite.
Naquela noite, ela chegou em sua casa grande e bem decorada e sentiu-se sozinha, como quando chegara na cidade pela primeira vez. Olhou à sua volta e não reconhecia mais seu quarto azul claro com detalhes amarelos, pelo qual ela sempre discutia com os pais, que diziam que quarto azul era coisa de menino. Tudo era branco, com detalhes em preto e objetos de decoração prateados. Ela nunca gostou muito daquela decoração, mas, queria agradar Ricardo.
Por um momento pensa "Se fosse o Daniel, a casa seria como eu quisesse!". Foi a primeira vez, em muitos anos, que ela se lembrara do grande amor de tanto tempo atrás. Pensa em ligar para ele. Mas, o que diria? Além disso, o número ainda seria o mesmo?
Pega o telefone. Antes de ela começar a discar, fica olhando para o aparelho. Ele toca. Sente seu coração disparar diante daquela coincidência. Pensa que só pode ser Daniel, que eles ainda devem ter aquela telepatia compartilhada várias vezes antes. Não era, era Ricardo. Ele diz que precisa conversar sobre uma coisa importante com ela quando chegar em casa.
Ele chega e encontra Gabriela chorando. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela diz que não agüenta mais. Que tudo o que fez na vida foi errado e que já é muito tarde para tentar começar de novo. Ricardo tentar abraçar sua esposa, mas ela o afasta. Diz que a vida dela é vazia, que ela, em algum momento, perdeu sua essência e precisa reencontrá-la. Ao que Ricardo responde: "Ótimo, pois vá procurá-la sozinha, pois eu quero o divórcio!"
Após uma noite sem dormir e com os olhos inchados de tanto chorar - sem saber se foi pelo pedido de divórcio ou pela descoberta de seu vazia - Gabriela vai para o escritório e encontra um bilhete sobre sua mesa. Aquele papel parecia conter o futuro de Gabriela. Sua vida poderia ser decidida em algumas linhas, podia ser sua promoção (nesse momento, todos os medos da noite anterior se esvaneceram com a probabilidade do reconhecimento profissional). Abriu e leu, com o coração na mão. Dizia:
"Prezada Senhora Gabriela Albuquerque,
Recebemos, de sua colega Priscila Damasceno, importantes informações sobre seu comportamento que não condiz com o que a empresa acredita. A partir de hoje, a senhora pode se considerar desligada desta empresa.
Atenciosamente,
Leandro Oliveira
Diretor de Recursos Humanos"
Sem entender, pensou o que poderia ser e ligou para Priscila, sua melhor amiga e confidente. Ela não atendeu sua ligação. Agora que fora promovida, tinha uma secretária particular que atendia seus telefonemas, evitando que ela tivesse que falar com algumas pessoas. Ligou para um amigo no setor de recursos humanos e descobriu que essas informações se baseavam no fato de ela poder abandonar tudo sem remorsos, com ela fizera com a família e o namorado.
A redenção
Sozinha, divorciada, sem emprego, sem amigos, sem nada, ela volta para sua cidade e vê o que é verdadeiramente belo. Volta com outros olhos à sua cidade, não mais os olhos deslumbrados de outrora. Vê sua família que, apesar da leve discordância em alguns pontos superficiais, sempre se apóiam e se amam, garantindo a unidade de toda a família.
Gabriela é recebida como entusiasmo por seus amigos da juventude. Ela não é vista como uma fracassada, que não soube se adaptar ao mundo da cidade grande, mas como uma mártir do sistema, heroína de não haver perdido sua integridade. Ela poderia ter arranjado mil formas baixas e vis de manter seu emprego, mas não se rebaixou a isso, como fizeram seus colegas.
Gabriela tinha medo de rever Daniel. Ele poderia julgá-la de mil formas cruéis, mas seu julgamento era mais cruel do que os dele. No fundo, ele sabia que tudo isso aconteceria e que não tardaria muito a ela voltar e querer retomar sua vida. Daniel era um dos poucos que conhecia a verdadeira Gabriela, a que não gosta de mudanças e aventuras.
Gabriela ligou para Daniel, aos prantos, e pediu que ele a perdoasse por tudo, que ela havia arruinado a vida de ambos e perguntou se era muito tarde para tentar de novo. Na verdade, ela já sabia qual seria a resposta dele, e foi essa certeza que a fez ter coragem para ligar. Ele disse "Nunca é tarde para tentar de novo. Meu amor me fez esperar por você, pois sabia que um dia você voltaria para mim!"
Casaram-se, compraram uma casa que Gabriela decorou ao seu próprio gosto e fincaram, definitivamente, suas raízes naquela cidade que Gabriela tanto amara a vida inteira.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Sobre a união, ou falta dela.
Carina achava que tudo estava bem na sua vida. Tinha muitos amigos, havia acabado de se formar, estava em um emprego bom. Tudo parecia certo. Um belo dia, porém...
"Oi, meu nome é Vilma. Soube que talvez abra uma vaga aqui nesse setor, então queria marcar uma entrevista para o emprego!"
O chefe, homem já com muita experiência, bem que hesitou, mas não teve jeito. A menina tinha um padrinho naquela rede de lojas. Vilma foi empregada, na mesma loja que Carina.
Ambas, de início, se davam muito bem. Conversam sempre que o tempo lhes permitia, saíam juntas depois do trabalho, iam a cinema, bares e restaurantes. Sempre se encontravam fora do trabalho. Não eram apenas colegas, eram amigas.
Com o tempo, o emprego na loja não mais satisfazia às duas moças. Elas logo quiseram sair daquele sucursal no subúrbio e ir para a central, onde teriam uma maior visibilidade e ganhariam bem mais.
A competição aos poucos foi se acirrando de uma e outra partes. Já não se falavam direito, trocavam apenas cumprimentos de cortesia e, às vezes, nem isso. As pessoas ao redor começaram a notar essa mudança de comportamento e comentar sobre isso nos corredores. Vilma estava certa de que ganharia a vaga, por seu padrinho importante na loja. Carina, só contava com o apoio de seu chefe - que sempre acreditou muito mais nela do que na novata - e dos estagiários e funcionários de mais baixo grau. Era certo que Vilma ganharia.
Às vésperas da decisão, no entanto, o diretor geral da rede de cosméticos decidiu que mudaria um pouco o processo. Seria feita uma votação entre as duas candidatas e uma terceira, de outra filial, e ela seria extensiva a todos os funcionários dessas redes. Vilma ainda estava confiante, pois dizia que seu padrinho conseguiria esses votos facilmente. Carina começava a ficar mais feliz, pois achava que, com o voto extensivo a todos, os funcionários da secretaria, da limpeza, da informática, do restaurante, etc, a quem ela sempre tratava com o maior respeito, poderiam performar o milagre esperado.
Chegou a votação. A alta diretoria se dividiu entre Vilma, por conta do padrinho da moça, e a terceira garota, da outra filial, que também tinha um padrinho forte. A decisão seria mesmo decidida pelos outros funcionários. Aí houve a grande surpresa.
A primeira filial se dividiu entre os que votaram em Vilma e os que votaram em Carina. Cada uma delas ficou com metade dos votos totais. Já na outra loja, por não haver essa competição, a moça, Renata, obteve todos os votos e acabou sendo a escolhida para trabalhar na central.
Carina e Vilma continuaram trabalhando na mesma loja do subúrbio, mas agora não suportavam mais dividir o mesmo espaço. Não falar uma com a outra não era bom o suficiente ainda. Elas passaram a se odiar e a odiar o fato de terem de ver-se todos os dias e fingir que tudo está bem.
"Oi, meu nome é Vilma. Soube que talvez abra uma vaga aqui nesse setor, então queria marcar uma entrevista para o emprego!"
O chefe, homem já com muita experiência, bem que hesitou, mas não teve jeito. A menina tinha um padrinho naquela rede de lojas. Vilma foi empregada, na mesma loja que Carina.
Ambas, de início, se davam muito bem. Conversam sempre que o tempo lhes permitia, saíam juntas depois do trabalho, iam a cinema, bares e restaurantes. Sempre se encontravam fora do trabalho. Não eram apenas colegas, eram amigas.
Com o tempo, o emprego na loja não mais satisfazia às duas moças. Elas logo quiseram sair daquele sucursal no subúrbio e ir para a central, onde teriam uma maior visibilidade e ganhariam bem mais.
A competição aos poucos foi se acirrando de uma e outra partes. Já não se falavam direito, trocavam apenas cumprimentos de cortesia e, às vezes, nem isso. As pessoas ao redor começaram a notar essa mudança de comportamento e comentar sobre isso nos corredores. Vilma estava certa de que ganharia a vaga, por seu padrinho importante na loja. Carina, só contava com o apoio de seu chefe - que sempre acreditou muito mais nela do que na novata - e dos estagiários e funcionários de mais baixo grau. Era certo que Vilma ganharia.
Às vésperas da decisão, no entanto, o diretor geral da rede de cosméticos decidiu que mudaria um pouco o processo. Seria feita uma votação entre as duas candidatas e uma terceira, de outra filial, e ela seria extensiva a todos os funcionários dessas redes. Vilma ainda estava confiante, pois dizia que seu padrinho conseguiria esses votos facilmente. Carina começava a ficar mais feliz, pois achava que, com o voto extensivo a todos, os funcionários da secretaria, da limpeza, da informática, do restaurante, etc, a quem ela sempre tratava com o maior respeito, poderiam performar o milagre esperado.
Chegou a votação. A alta diretoria se dividiu entre Vilma, por conta do padrinho da moça, e a terceira garota, da outra filial, que também tinha um padrinho forte. A decisão seria mesmo decidida pelos outros funcionários. Aí houve a grande surpresa.
A primeira filial se dividiu entre os que votaram em Vilma e os que votaram em Carina. Cada uma delas ficou com metade dos votos totais. Já na outra loja, por não haver essa competição, a moça, Renata, obteve todos os votos e acabou sendo a escolhida para trabalhar na central.
Carina e Vilma continuaram trabalhando na mesma loja do subúrbio, mas agora não suportavam mais dividir o mesmo espaço. Não falar uma com a outra não era bom o suficiente ainda. Elas passaram a se odiar e a odiar o fato de terem de ver-se todos os dias e fingir que tudo está bem.
Assinar:
Postagens (Atom)
