terça-feira, 27 de novembro de 2007

Saber ou não saber? Eis a questão!

Tenho uma teoria (na verdade, tenho muitas, elas até assustam às vezes...) de que, se as pessoas sabem que uma coisa ruim vai acontecer, elas fazem de tudo para evitar, e é justamente nesse afã de evitar que elas acabam permitindo que isso aconteça. Veja Édipo, por exemplo. Se os pais dele não o tivessem levado ao oráculo, que disse que o menino, ao crescer, mataria o pai e desposaria a mãe, não o teriam abandonado na floresta, de onde foi resgatado e criado como pastor. Anos mais tarde, durante uma viagem, esse pastor mata um senhor na estrada (seu pai) e decifra o enigma da Esfinge, livrando toda Tebas do jugo desse monstro. Como forma de gratidão, a rainha da cidade (sua mãe) é oferecida em matrimônio a ele... Se não tivessem sabido da previsão, nada disso teria ocorrido, pois ele não teria brigado com o pai no meio da estrada e não se casaria com sua mãe.

Essa idéia sempre foi muito clara para mim (não sei ainda o que os outros acham dela ). Vejo evidências disso que chamo teoria em filmes como Premonições (com Sandra Bullock), em peças de Shakespeare (Macbeth) e alguns outros filmes e livros que não lembro agora.

Mas, será que isso funciona só em relação a um conhecimento antecipado do futuro ou qualquer informação privilegiada pode levar a um desastre? Será que, às vezes, a ignorância é mesmo uma benção?

Se a gente descobre uma pequena informação que poderia mudar muita coisa ao nosso redor, nossa percepção do redor muda, ainda que ele exatamente não tenha mudado. OK, isso está estranho até para mim... Mas, basicamente é isso mesmo. Deixe-me tentar destrinchar esse pensamento e apresentá-lo aos poucos:

A realidade não vai mudar apenas com base na mudança de uma variável. É preciso toda uma conjunção de fatores para ocasionar uma mudança substancial no mundo que nos cerca. No entanto, ao sabermos da mudança dessa pequena variável, que como andorinha só, não muda nada, ou muda pouco, toda a nossa percepção da realidade se transforma. Não é o mundo que muda, são nossos olhos.

Como um "sim" que, há duas semanas, parecia tão irrelevante e comum pôde transformar tudo tão rapidamente? Como agora, por conta de uma frase, tenho que ficar me policiando para não deixar ninguém ver algo que nem eu mesma vejo? Como agora, mesmo que eu tente ajudar, eu posso atrapalhar tudo e ferir pessoas por quem eu tenho um carinho imenso?

De repente são os chineses que, com sua sabedoria milenar, estão, mais uma vez, certos sobre tudo. Talvez seja mesmo melhor não querer que seu desejo se realize. Às vezes, ao invés de perguntar, devemos permanecer quietos, esperando o momento em que a informação virá, afinal, ela vai vir de uma maneira ou de outra. Mas, se não perguntarmos, ela vem na hora certa, na hora em que vai se juntar a outras ocasiões e fatores e todas as andorinhas, juntas, poderão voar e fazer seu verão acontecer.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Seguir em frente, sem olhar para trás

A saída

Gabriela estava só em uma cidade desconhecida. Deixara para trás a família, já desagregada antes disso, os amigos e o namorado, Daniel. Partiu em busca de um futuro melhor, de uma chance de construir sua própria vida e, finalmente, ser alguém.

Era a primeira vez que saía de casa. A adaptação foi muito difícil. Tudo lhe era estranho. Demorou a acostumar-se aos nomes das rua, ao tipo de gente, aos novos hábitos, ao novo apartamento, ao engarrafamento, à rotina nova que em nada lembrava a antiga e, principalmente, à saudade e ao vazio que nunca sentira antes.

Tentou construir suas raízes na nova cidade, mas logo percebeu que as suas já eram por demais profundas e não havia meios de transplantá-las. Não obstante, tentou se habituar a essa nova vida. Fez amizades no trabalho e essas lhe bastavam. Saía apenas com esses, não tinha necessidade de mais.

Esses amigos, na verdade, alguns deles tornaram-se confidentes. Era a eles que Gabriela falava da saudade que sentia da família e de Daniel. Ela tentava substituir a ausência dos que ficaram com os que chegaram agora. Logo, ela percebe que isso não basta. Resolve juntar dinheiro e voltar para sua cidade, não para sempre, mas para rever a vida que ficara para trás e matar um pouco da saudade que lhe assolava o coração e impedia seu sono tranqüilo.

A volta

Volta à sua cidade, mas percebe que tudo mudou. Na verdade, tudo está igual ao que sempre foi, ela é que mudou e achou que seu mundo mudaria também. Sua família, que ela pensava que estaria diferente, como a de seus amigos da nova cidade, continuava com os mesmos problemas, com a mesma desagregação. Daniel estava diferente do que Gabriela esperava. Ela mudara tanto na nova cidade, com os novos amigos e com a nova vida, que logo percebeu o quanto eles se tornaram incompatíveis. Seus amigos antigos lhe pareciam todos iguais e igual ao que sempre foram. Nenhuma novidade, nenhuma aventura, nenhuma ambição. Tudo sempre igual, quando ela queria sempre mais.

A revolta

Tomou a única decisão que lhe pareceu certa no momento: cortou suas raízes e decidiu criá-las em outro lugar. Deu adeus definitivo a tudo e a todos na cidade antiga. Esqueceu-se da vida que lhe precedera e adotou a nova cidade como a SUA cidade. Arranjou um novo amor, que lhe parecia muito melhor que Daniel, de quem ela mal lembrava o nome. Adotou seus novos amigos como os únicos.

Como a boa filha que sempre foi, ligava para seus pai todo domingo, por obrigação. Foi também por obrigação que se impunha voltar para casa no Natal, mas só durante três dias por ano. Os outros, ela reservava para sua vida nova, cheia de aventura, entusiasmo, emoção e amigos.

A reviravolta

Aos longo dos anos, porém, sua nova vida lhe pareceu um pouco vazia. Já estava casada com Ricardo, mas ainda sentia um tremor por dentro ao ouvir o nome Daniel. Seu trabalho, que, de início, ela adorava, começou a parecer-lhe vazio de significado. Seus amigos mostraram sua verdadeira e cruel faceta.

Começou com uma possibilidade de promoção. Ao saber dessa chance pelo chefe da empresa, contou logo aos seus amigos, os mesmo que eram seus confidentes anos atrás. Ao invés de eles torcerem por ela, como ela pensou que seria, eles se mostraram invejosos de seu sucesso. Logo Gabriela descobriu, que esses "amigos" estavam querendo essa promoção também. O problema foi quando eles não apenas queriam a promoção, como faziam de tudo para que ela não a ganhasse. Ricardo, quando procurado por Gabriela, que precisava de seu apoio e carinho, recusou-se a ajudá-la, pois estaria por demais ocupado naquela noite.

Naquela noite, ela chegou em sua casa grande e bem decorada e sentiu-se sozinha, como quando chegara na cidade pela primeira vez. Olhou à sua volta e não reconhecia mais seu quarto azul claro com detalhes amarelos, pelo qual ela sempre discutia com os pais, que diziam que quarto azul era coisa de menino. Tudo era branco, com detalhes em preto e objetos de decoração prateados. Ela nunca gostou muito daquela decoração, mas, queria agradar Ricardo.

Por um momento pensa "Se fosse o Daniel, a casa seria como eu quisesse!". Foi a primeira vez, em muitos anos, que ela se lembrara do grande amor de tanto tempo atrás. Pensa em ligar para ele. Mas, o que diria? Além disso, o número ainda seria o mesmo?

Pega o telefone. Antes de ela começar a discar, fica olhando para o aparelho. Ele toca. Sente seu coração disparar diante daquela coincidência. Pensa que só pode ser Daniel, que eles ainda devem ter aquela telepatia compartilhada várias vezes antes. Não era, era Ricardo. Ele diz que precisa conversar sobre uma coisa importante com ela quando chegar em casa.

Ele chega e encontra Gabriela chorando. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela diz que não agüenta mais. Que tudo o que fez na vida foi errado e que já é muito tarde para tentar começar de novo. Ricardo tentar abraçar sua esposa, mas ela o afasta. Diz que a vida dela é vazia, que ela, em algum momento, perdeu sua essência e precisa reencontrá-la. Ao que Ricardo responde: "Ótimo, pois vá procurá-la sozinha, pois eu quero o divórcio!"

Após uma noite sem dormir e com os olhos inchados de tanto chorar - sem saber se foi pelo pedido de divórcio ou pela descoberta de seu vazia - Gabriela vai para o escritório e encontra um bilhete sobre sua mesa. Aquele papel parecia conter o futuro de Gabriela. Sua vida poderia ser decidida em algumas linhas, podia ser sua promoção (nesse momento, todos os medos da noite anterior se esvaneceram com a probabilidade do reconhecimento profissional). Abriu e leu, com o coração na mão. Dizia:

"Prezada Senhora Gabriela Albuquerque,
Recebemos, de sua colega Priscila Damasceno, importantes informações sobre seu comportamento que não condiz com o que a empresa acredita. A partir de hoje, a senhora pode se considerar desligada desta empresa.
Atenciosamente,

Leandro Oliveira
Diretor de Recursos Humanos"

Sem entender, pensou o que poderia ser e ligou para Priscila, sua melhor amiga e confidente. Ela não atendeu sua ligação. Agora que fora promovida, tinha uma secretária particular que atendia seus telefonemas, evitando que ela tivesse que falar com algumas pessoas. Ligou para um amigo no setor de recursos humanos e descobriu que essas informações se baseavam no fato de ela poder abandonar tudo sem remorsos, com ela fizera com a família e o namorado.

A redenção

Sozinha, divorciada, sem emprego, sem amigos, sem nada, ela volta para sua cidade e vê o que é verdadeiramente belo. Volta com outros olhos à sua cidade, não mais os olhos deslumbrados de outrora. Vê sua família que, apesar da leve discordância em alguns pontos superficiais, sempre se apóiam e se amam, garantindo a unidade de toda a família.

Gabriela é recebida como entusiasmo por seus amigos da juventude. Ela não é vista como uma fracassada, que não soube se adaptar ao mundo da cidade grande, mas como uma mártir do sistema, heroína de não haver perdido sua integridade. Ela poderia ter arranjado mil formas baixas e vis de manter seu emprego, mas não se rebaixou a isso, como fizeram seus colegas.

Gabriela tinha medo de rever Daniel. Ele poderia julgá-la de mil formas cruéis, mas seu julgamento era mais cruel do que os dele. No fundo, ele sabia que tudo isso aconteceria e que não tardaria muito a ela voltar e querer retomar sua vida. Daniel era um dos poucos que conhecia a verdadeira Gabriela, a que não gosta de mudanças e aventuras.

Gabriela ligou para Daniel, aos prantos, e pediu que ele a perdoasse por tudo, que ela havia arruinado a vida de ambos e perguntou se era muito tarde para tentar de novo. Na verdade, ela já sabia qual seria a resposta dele, e foi essa certeza que a fez ter coragem para ligar. Ele disse "Nunca é tarde para tentar de novo. Meu amor me fez esperar por você, pois sabia que um dia você voltaria para mim!"

Casaram-se, compraram uma casa que Gabriela decorou ao seu próprio gosto e fincaram, definitivamente, suas raízes naquela cidade que Gabriela tanto amara a vida inteira.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Sobre a união, ou falta dela.

Carina achava que tudo estava bem na sua vida. Tinha muitos amigos, havia acabado de se formar, estava em um emprego bom. Tudo parecia certo. Um belo dia, porém...


"Oi, meu nome é Vilma. Soube que talvez abra uma vaga aqui nesse setor, então queria marcar uma entrevista para o emprego!"

O chefe, homem já com muita experiência, bem que hesitou, mas não teve jeito. A menina tinha um padrinho naquela rede de lojas. Vilma foi empregada, na mesma loja que Carina.

Ambas, de início, se davam muito bem. Conversam sempre que o tempo lhes permitia, saíam juntas depois do trabalho, iam a cinema, bares e restaurantes. Sempre se encontravam fora do trabalho. Não eram apenas colegas, eram amigas.

Com o tempo, o emprego na loja não mais satisfazia às duas moças. Elas logo quiseram sair daquele sucursal no subúrbio e ir para a central, onde teriam uma maior visibilidade e ganhariam bem mais.

A competição aos poucos foi se acirrando de uma e outra partes. Já não se falavam direito, trocavam apenas cumprimentos de cortesia e, às vezes, nem isso. As pessoas ao redor começaram a notar essa mudança de comportamento e comentar sobre isso nos corredores. Vilma estava certa de que ganharia a vaga, por seu padrinho importante na loja. Carina, só contava com o apoio de seu chefe - que sempre acreditou muito mais nela do que na novata - e dos estagiários e funcionários de mais baixo grau. Era certo que Vilma ganharia.

Às vésperas da decisão, no entanto, o diretor geral da rede de cosméticos decidiu que mudaria um pouco o processo. Seria feita uma votação entre as duas candidatas e uma terceira, de outra filial, e ela seria extensiva a todos os funcionários dessas redes. Vilma ainda estava confiante, pois dizia que seu padrinho conseguiria esses votos facilmente. Carina começava a ficar mais feliz, pois achava que, com o voto extensivo a todos, os funcionários da secretaria, da limpeza, da informática, do restaurante, etc, a quem ela sempre tratava com o maior respeito, poderiam performar o milagre esperado.

Chegou a votação. A alta diretoria se dividiu entre Vilma, por conta do padrinho da moça, e a terceira garota, da outra filial, que também tinha um padrinho forte. A decisão seria mesmo decidida pelos outros funcionários. Aí houve a grande surpresa.

A primeira filial se dividiu entre os que votaram em Vilma e os que votaram em Carina. Cada uma delas ficou com metade dos votos totais. Já na outra loja, por não haver essa competição, a moça, Renata, obteve todos os votos e acabou sendo a escolhida para trabalhar na central.

Carina e Vilma continuaram trabalhando na mesma loja do subúrbio, mas agora não suportavam mais dividir o mesmo espaço. Não falar uma com a outra não era bom o suficiente ainda. Elas passaram a se odiar e a odiar o fato de terem de ver-se todos os dias e fingir que tudo está bem.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A estrada deserta

Joana vinha dirigindo por uma estrada. Era noite. Ela já conhecia o caminho de cor. Todas as noites pegava aquela estrada para voltar para sua casa. Não havia mais ninguém por perto, ninguém mais em seu carro, nenhum outro carro à vista, nenhuma vivalma caminhando pela calçada (afinal, quem caminha pelas calçadas de noite nas cidades grandes?)

Como demoraria a chegar em casa, começou a analisar sua vida até aquele instante. Será que tomara as decisões corretas? Será que sempre pegou o melhor caminho? Será que valia a pena aquele trabalho estressante pelo qual tanto lutara?

Percebe o quanto afastou as pessoas à sua volta. Mal vê sua família, pois sempre chega em casa tarde e sai cedo para o trabalho, pois sempre quis uma bela e grande casa afastada do centro da cidade, para que as crianças pudessem brincar na rua. Trabalha o tempo inteiro sob pressão de todos os lados, (mas, afinal, ela lutou tanto para ser a editora-chefe daquele jornal, ela deve aguentar pressão).

Pensa nos amigos de há tantos anos. "Quanto tempo faz que não os encontro?, que não ligo para saber como estão e o que há de novo com eles? Aposto que alguém deve ter uma doença de que eu não sei, ou está para se separar." Pensa no casamento que está em crise, porque ela e Fernando quase não se vêem e isso lhes dá pouco tempo para se lembrarem de como é bom amar alguém. "Aposto que o Fernando está tendo um caso com outra! Deve ser aquela secretária nova, loura, toda bonitona. Se ele soubesse como os homens ainda me desejam, talvez não olhasse para as outras..."

Nunca estava ansiosa para chegar em casa. Nunca sentia vontade incontrolável de rever seus dois filhos, que, segundo ela, "eram deslumbrados, achavam que podiam fazer tudo e só se metiam em encrenca. Qualquer hora dessas, o Bruno iria para a prisão e a Juliana seria mãe solteira". Invariavelmente pensava isso naquela estrada.

Após mais quinze minutos, no entanto, estacionava na frente de casa. Era recebida por Fernando, que cozinhara seu prato favorito, medalhão ao molho funghi e arroz com aspargos. Bruninho e Ju, de 7 e 5 anos respectivamente, também vinham à porta receber o abraço carinhoso da mãe. Ao entrar em casa, encontra um jarro com rosas, que seu marido compra todos os dias para alegrar a casa. Vê, na secretária eletrônica, as mensagens de seus amigos de faculdade, confirmando o encontro semanal no clube.

A verdade é que Joana, que escrevia sobre tragédias todos os dias para seu jornal, conseguia criar tragédias para explicar tudo ao seu redor. Conseguia envolver a tudo e a todos em uma rede de intriga, tragédia e traição, como nenhum escritor de novelas jamais pôde. Anos mais tarde, quando contou isso para Juliana, disse que era para amenizar a saudade que cortava seu coração naquela estrada deserta. Era para que o tempo passasse mais rápido e para que ela logo encontrasse os braços e lábios de Fernando, único homem a quem amara e com quem foi feliz por mais de trinta e cinco anos.

Tempo

Um dia vira uma semana. Uma semana vira um mês. Um mês vira um ano. De repente, quando percebemos, estamos juntos há um ano, um mês, uma semana e um dia. O tempo voa quando estou com você e se arrasta quando conto as horas para te ver. Espero que muitos outros dias e semanas e meses e anos se juntem a essa contagem!

Beijos, meu amor!

O caso da voz melíflua.

Luisinho e Mariana sempre estudaram na mesma sala. Eles brincavam juntos, estudavam juntos, iam para casa juntos, estavam sempre juntos. O tempo foi passando e a proximidade permanecia.

Em um triste dia chuvoso, Luisinho não pôde ver Mariana, pois sua mãe não o deixara sair de casa. Essa situação já acontecera muitas outras vezes anteriormente. Apesar disso, Luisinho estava especialmente triste por não poder ver sua amiga. Ele não entendia o porquê de tamanha tristeza. Era certo que se veriam no dia seguinte, na aula...

Pensava nisso, mas não encontrava resposta. Pensou em ligar para ela, mas ficou nervoso (estranho, isso nunca ocorrera antes!). Após algumas horas pensando nisso, pelo menos pareciam horas, o telefone toca. Ele é tirado de seus pensamentos pelo ruído do toque e por seu próprio grito.

Corre ao telefone, afinal, pode ser Mariana. "Mas, espera, e se for ela? Ai, meu Deus! O que fazer agora? Mas, por que essas perguntas? Nós nos falamos ao telefone todas as noites." Atende.

Alô! Diz a voz do outro lado. "Estranho!", pensa Luís, que, em um momento, passou a sentir ojeriza do diminutivo que parecia depreciá-lo, "nunca percebi quão doce e melíflua é a voz da Mariana! Melíflua? De onde surgiu essa palavra? Provavelmente eu a ouvi em uma canção de amor. Amor?! Quem está falando de amor? O que está acontecendo?"

Alô!, repete a voz, tão normal e conhecida no dia anterior e tão única e misteriosa e ... melíflua agora! Luís fica paralisado. Não consegue pronunciar essas duas sílabas: A-! Tão simples em qualquer outro momento, tão banal para qualquer pessoa. Mariana desliga.

Dia seguinte na aula: Luís chega mais tarde e mal olha Mariana. Ao invés de sentar-se ao lado dela, como fez por anos a fio, experimenta sentar-se em outro lugar. Não consegue prestar atenção na aula. Percebe o quanto sempre quis Mariana e nunca percebera antes. Percebe que, em um momento, passou a amá-la com todas as forças, como jamais creu ser possível.

Não sabia mais como agir. Ao mesmo tempo em que queria contar-lhe tudo, pois se achava capaz de qualquer coisa por aquele amor, julgava que poderia enfrentar qualquer desafio que ela lhe impusesse; queria esconder esse sentimento, tinha medo de que ela o rejeitasse, de que ela não aceitasse o seu amor. Ele precisava descobrir o que fazer.

Intervalo. Era a chance que ele teria de acabar com aquela tortura. Luís segura o braço de Mariana e diz-lhe que ela é linda, especial e que sempre a amou, mas que só percebera na tarde anterior. Toma coragem e pergunta o que ela sente.

"Estou apaixonada!", diz ela. Ele começa a esboçar um sorriso, mas ela continua, "...liguei ontem para contar isso: eu e o Pedro, do 3ºB estamos namorando!" Nisso, o chão parece ceder e o mundo desabar sobre os ombros de Luís. Quando ele acha que sua situação não podia piorar, ela completa: "eu sempre fui apaixonada por você! Há uns três anos, eu dava os sinais para você se aproximar, mas você nunca se interessou. Ontem à tarde eu decidi que não valia a pena eu ficar sofrendo por você e esperando a vida inteira por uma decisão sua e resolvi seguir em frente."

Pedro entra na sala, segura a mão de Mariana e a leva de lá, não sem antes trocar com a moça um beijo. Luís, que assiste a tudo impassível e perplexo, tenta entender o que foi que ele não percebeu antes. Mas, a única coisa em que consegue pensar é em como o destino brinca com as pessoas e como o atraso dele de um dia pôde transformar o resto do ano letivo em um inferno, em que ele verá sempre sua amada Mariana, mas sempre inatingível, ao lado do Pedro.

sábado, 17 de novembro de 2007

A vida é uma longa estrada pela qual passamos, mas, nem sempre, somos nós que dirigimos o carro!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Declaração de amor

Você chegou e, com um olhar, arrebatou meu coração, meu destino, minha vida. A partir daquele olhar, só pensava em você, só vivia por você. Tudo o que eu fazia - bom ou ruim - era para me aproximar de você e para mantê-lo sempre perto. Com isso, escrevi muito, organizei festas ótimas, assisti a mais aulas do que deveria e conheci grandes amigos que guardo para a vida toda.
Muitas cartas não enviadas, noites mal dormidas e dias mal vividos depois, ouvi a frase que sonhei escutar desde aquele olhar - desde que minha vida realmente começou. Ficamos próximos de verdade, começamos a namorar e eu passei a ser uma pessoa muito melhor ao seu lado. E pensar que já tem mais de um ano!
Com você, eu vi melhor o mundo. Por você, eu revi conceitos em que cri a vida inteira, mas que, de repente, não mais que de repente, passaram a não fazer mais sentido. Por você, eu mudei de opinião sobre muitas coisas e muitas pessoas. Com você, eu paguei mico. Com você, eu aprendi coisas que nem imaginava. Com você, eu fui feliz! Com você, eu SOU feliz!
Você iluminou meu mundo que era tão escuro, sombrio e vazio, tornando-o cheio de luz, alegria e vida. Mas, eu só sabia dos meus problemas, das minhas angústias, do que me afligia. Não sabia, até ontem, das suas angústias e dos seus medos. Hoje, olhando para trás, percebo o significado de muita coisa que você disse naquela época, e que, na hora, eu não entendi completamente.
Você me ajudou a vencer meus medos e traumas. Eu quero ajudá-lo a vencer os seus. Gosto dessa idéia de parceria entre nós. Acho que é isso que importa em um relacionamento e acho que nós temos isso. A sinceridade que existe entre nós é essencial e especial.
Você é minha alma gêmea! Você é meu príncipe encantado! Você é a pessoa por quem eu esperei toda a vida! Você é meu grande, único e eterno amor! Só em você eu encontro paz. Só com você eu sou completamente feliz!
Amo você! Para sempre!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Como as aparências enganam!

Será que, só de olhar para uma pessoa, a gente pode saber quem ela realmente é, o que ela sente, quais pensamentos povoam sua mente? As pessoas, quando estão em crise, assumem posturas diferentes umas das outras. Algumas fazem escândalo, gritam, choram, esperneiam. Outras reclamam, resmungam, protestam. Outras mantêm-se caladas, quietas, sofrendo em silêncio, em uma atitude nobre, altiva, quase sublime.
Quando algo acontece a um amigo querido, nossa tendência é ajudar em tudo o que estiver a nosso alcance. Não é que seja uma atitude altruísta, é bem egoísta: queremos ajudar NOSSOS amigos, talvez com esperança de que eles nos ajudem futuramente, talvez não, mas, ainda assim, os NOSSOS amigos.
Agora, leitora amiga, esses dois pensamentos guardam relação entre si ou são apenas reflexões aleatoriamente jogadas no papel, digo, no teclado? Sim, eles têm relação entre si!
Nós queremos ajudar nossos amigos, mas, sabemos quando eles precisam de ajuda? Se a pessoa em questão pertencer ao primeiro ou ao segundo grupo, podemos perceber quando ajudar e, amiúde, também como ajudar. Normalmente, nessas reclamações, já há implícita a solução do problema. Às vezes, só é difícil para que reclama encontrar, mas, quem ouve percebe rapidamente como pode tornar tudo mais fácil.
O problema real está em quando se trata de uma pessoa do terceiro grupo. Elas escondem seu sofrimento e sua tristeza e agem naturalmente como se estivesse tudo perfeito. Você pergunta se está tudo bem e elas respondem "Está, tudo certo!" Não é mentira, elas ignoram o problema que não querem compartilhar com o mundo e o resto, este sim, está certo.
Nesses casos, há somente uma pequena falha no interior, que não se reflete na estrutura. Essa falha pode demorar muitos anos até ser detectada. Enquanto isso, a pessoa sofre sozinha, em seu nobre silêncio e em sua sublime altivez. E nós? Nós não pudemos ajudar em nada, não porque não quiséssemos, mas porque não sabíamos desse problema.
Às vezes, quando descobrimos essa rachadura, tentamos ajudar, mas, em geral, não se trata de um problema de fácil solução, é algo realmente profundo e difícil. Nos invade uma sensação grande de impotência frente à qual nada podemos fazer. Essa é, posso garantir, uma das piores sensações do mundo: sabe que alguém de quem você gosta, com quem você se preocupa está com um problema e você não pode fazer nada!
Mas, às vezes, na maioria das vezes, a gente ajuda, sim. Só de escutar o problema, saber o que está acontecendo, a gente já passa uma segurança para a pessoa em questão, ela passa a saber que não está sozinha, que pode contar com alguém. Além do que, duas pessoas pensando em um modo de acabar com o problema da melhor forma, podem chegar a uma resposta melhor e mais rápida do que se só uma pessoa estivesse pensando.
O principal no caso de pessoas assim - grupo no qual eu própria me incluo - é identificar o grito de socorro. Esse grito não chega a ser um grito, ao contrário, é abafado como um suspiro e silencioso como uma lágrima. Depois desse pedido, deve-se tentar ajudar, de forma bem egoísta mesmo, para que a pessoa que NÓS amamos não sofra. No final, problemas são resolvidos, feridas se curam, rachaduras se fecham, a vida volta ao normal e a amizade sai muito fortalecida. E isso é o principal da vida: amizade!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

É Natal!

Na volta para casa, vi árvores de natal imensas montadas na frente de "shopping centers". Iluminação especial, presépios, cânticos, papais noéis, tudo nos faz lembrar que o Natal está chegando. Mas, espera! Ainda estamos no início de novembro!

Já na primeira metade de outubro eu vi a primeira árvore de Natal nesse ano. Não me lembro onde foi, mas lembro que ainda mal passara o dia das crianças, para onde a atenção do comércio estava voltada então. Foi um choque, afinal, faltava mais de dois meses para a comemoração!

Foi-se o tempo em que o Natal era uma ocasião para a família comemorar a chegada do menino Jesus ao mundo. Hoje em dia, tudo gira em torno dos presentes e da ceia. Não se vai mais à Missa do Galo. Ao invés, espera-se a meia-noite para ver o que "Papai Noel" trouxe de presente. As crianças crescem achando que o Natal é apenas uma festa em se come bem e se ganha presentes. Onde foi parar o verdadeiro espírito de Natal?

Essa é uma época mágica, em que qualquer coisa pode acontecer. O filme "Simplesmente amor" retrata bem as esperanças - bem ou mal sucedidas - que acompanham as luzes e promoções. Será que a magia também é comercial, apenas para vender mais produtos? Será que quem comprou Papai Noel (a Coca-Cola, diriam alguns, por sua cor vermelha) também resolveu se apropriar do espírito mágico que traz esse crepúsculo de ano?

Não. Eu não sou conspiracionista! Podem dizer o que quiserem. Para mim, o Natal é mágico, sim. É o tempo em que reavaliamos o que aconteceu de bom e de ruim no ano que está acabando. É quando mais criamos esperanças de que o que deu errado dê certo, e de que o que deu certo permaneça. É quando esperamos consertar tudo o que há de torto na nossa vida, e, muitas vezes, conseguimos isso.

Luz sempre esteve associada com paz, bons pensamentos e alegria. O que haveria de errado, então, em colocarmos luzes festivas mais cedo nas ruas? Sou da opinião de que nunca deveríamos tirá-las de lá. Seria melhor manter todas essas luzes piscando e trazendo paz e alegria o ano inteiro. O que perderíamos com isso? Talvez um pouco de energia, mas isso seria pouco diante do ganho de alegria que o mundo aproveitaria.

Problemas de comunicação

A maior parte dos problemas que nos afligem vêm de falhas de comunicação. O ser humano criou formas cada vez mais evoluídas de se comunicar: aperfeiçoou a linguagem corporal, desenvolveu a capacidade de fala, criou mecanismos complexos de escrita... e continua sem saber se comunicar. Se nós pudéssemos expressar exatamente o que estamos pensando, poderíamos evitar esse tipo de situação em que cada um fala uma coisa diferente e ninguém se entende.

Os relacionamentos entre homem e mulher são especialmente sujeitos a esse tipo de tormenta. O livro "Por que homens fazem sexo e mulheres fazem amor" dá explicações científicas para esse desencontro, mas, por mais que se tente evitar isso, seguindo os conselhos no livro, um homem ainda é um homem e uma mulher ainda é uma mulher.

Quantas vezes não ouvimos essas frases:
"Não foi o que você falou, foi como você falou!"
"O que você queria? Eu não sei ler pensamento!" ?
A primeira é uma frase tipicamente feminina, e a segunda, tipicamente masculina. Há explicações para isso, algo sobre a mulher perceber instintivamente mudanças de timbre e tom de voz, mudanças de expressão facial etc. e os homens não. Mas, no dia-a-dia, o que é que anda tão errado?

Se nós disséssemos exatamente o que pensamos, metade do problema seria resolvida. A questão é: nós sabemos o que estamos sentindo? Talvez eu seja estranha, mas eu não consigo descrever o que eu sinto, pois eu sinto milhões de coisas ao mesmo tempo e poucas delas têm nomes específicos. Não há forma de escalonar esses sentimentos para dizer "agora, eu estou sentindo isso!" Não dá!

Como resolver, então? Dizer tudo o que eu penso? Por Deus, se fizesse isso, todos me julgariam louca, pois meu pensamento nem sempre é retilíneo (na verdade, quase nunca o é): ele vai a um assunto, muda para outro, volta para o primeiro, vai a outro e nenhum deles tem relação com os outros, apenas na minha cabeça.

Além disso, será que é válido sempre dizer o que se está pensando? Será que, às vezes, não é melhor sofrer um pouco calada a fazer alguém que você ama sofrer também? Algumas coisas não podem ser ditas! É isso que causa os problemas entre as pessoas? Talvez seja. De repente, a sinceridade acima de tudo é mesmo a melhor política a ser adotada. Só não sei se eu consigo me adaptar a isso.

A vida deveria ser tão simples! Por que temos sempre de complicar tudo? Por que transformar uma simples frase ou um simples pedido em um gatilho que pode disparar em direção à dor, ao sofrimento e ao fim de um relacionamento?

O primeiro passo deve ser se conhecer melhor e analisar o porquê da tendência a fazer esses disparos. A questão é que, sabendo disso, as pessoas já ficam alertadas sobre um modo de disparar esse perigoso gatilho e evitam fazê-lo. Nesse ponto, entra a sinceridade e abertura para alertar sobre esses medos e traumas.

Quem sabe, com um conhecimento maior de nós mesmos e dos outros, a comunicação não se tornará mais fácil. E, assim, voltamos à milenar sabedoria de Sun Tzu: "Conhece-te a ti mesmo e ao teu inimigo!" Inimigo não, apenas a outra parte nesse embate de opiniões escondidas, de meias-palavras, de medo de dizer as coisas, de problemas de comunicação. Talvez, um dia consigamos, juntos, vencer essa guerra. Não sei.

Só sei que eu não quero puxar esse gatilho de novo! Ele nunca nos faz bem!

sábado, 10 de novembro de 2007

Fé na humanidade

Gosto de pensar o melhor das pessoas. Apesar de sempre dizerem que não existe mais gente honesta e boa no mundo, que todos só querem seu próprio benefício, mesmo que isso prejudique outrem, nunca consegui desacreditar da bondade humana. Ontem, tive vários exemplos de pessoas de bom coração, que querem ajudar os outros, que fazem o mundo valer a pena.
Eu tinha que fazer uma prova e cheguei atrasada. Não era uma prova qualquer, era um exame de proficiência em uma língua estrangeira organizado por uma universidade de outro país. Primeiro, cheguei bem atrasada (problemas que o trânsito dessa cidade causa às vezes) e a parte auditiva da prova já começara. Tive a certeza de que não conseguiria mais fazer a prova, mas as examinadoras me deixaram entrar e foram bem simpáticas comigo.
Segundo, tive que comprar uns salgadinhos para uma festa lá do escritório (apesar de não trabalhar em um escritório, gosto de falar assim, é chique!) e, depois de ter enchido o pratinho, pesado tudo e até ter escolhido um doce para levar ao meu namorado, fui pagar. A atendente disse que a máquina do cartão não estava funcionando. Eu estava sem dinheiro suficiente na bolsa (novidade! tenho que começar a andar com dinheiro na bolsa!) e sem cheque. Pedi para ela guardar um pouco aquilo tudo enquanto eu passaria no banco. Ela simplesmente pegou meu nome (só o primeiro, nem foi completo), meu celular e disse: "você pode passar aqui amanhã e pagar!"
Terceiro, estávamos "perdidos" numa das áreas nobres da cidade, meu namorado e eu. De repente, paramos em frente à sede de uma organização internacional. Meu namorado (que passarei a chamar Marius aqui, pois era o amado de Cosette no livro de Victor Hugo) foi até o prédio, muito bonito, por sinal, e pediu informações e folhetos sobre a organização, já que é um tema importante para os estudos dele. A moça que o atendeu foi super simpática (até desconfiei um pouco) e deu vários papéis e material que seria útil.
Quarto, tivemos, de novo Marius e eu, que comprar um pedaço de corrente. Testamos e vimos que o ideal ser 1,35m, mas a loja só podia vender 1 ou 2 metros. Compramos 1 metro e pedimos para o moço cortar um pouquinho mais. Ele, depois de cortar, disse que tinha aumentado um pouco e que estava, mais ou menos, com 1,30 metro.
Essas pessoas, só para exemplificar, pois, na verdade, são muitas, fazem a gente ter fé na humanidade. É como o filme "A felicidade não se compra". É impossível ver esse filme, ou passar por situação como as descritas acima, e não sentir que o mundo vale a pena, que não é tão ruim como dizem, que ele tem solução e que há muitas pessoas que tentam, sim, ajudar quando podem.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Informações iniciais

Sobre a finalidade: Sempre me perguntei o que levava as pessoas a escreverem em blogs e nunca obtive resposta. Talvez o desejo de ser lido e admirado - ainda que não se admita - exceda a vergonha e o risco da exposição. Nesse conflito entre vaidade e resguardo, qual dos dois é o mais forte?
Resolvi ceder a uma tentação que sempre rodeou minha vida e abri esse blog. Meu namorado, hoje, perguntou o que eu escreveria nele. Refleti um pouco, pensei em sobre o que eu gostaria de escrever, e a verdade é que eu não sei. Ainda não tenho idéia de que coisas se escrevem em blogs (nem sei se o plural é blogs ou blogues). Enfim, quem viver verá.

Sobre o nome do blog: Referência clara a Machado de Assis, um ídolo pessoal que tenho. Não considero seu derradeiro livro (Memorial de Aires) o seu melhor - prefiro Esaú e Jacó - mas gosto da idéia de reflexões aleatórias, jogadas num papel de forma a resumir os pensamentos de uma vida.
A outra referência que surge, se é que pode ser considerada referência, é ao meu signo. Sim, sou de áries, com ascendente em gêmeos, muitas luas em libra, e não tenho idéia de como isso influencia minha vida. Leio freqüentemente trânsitos astrológicos, e alguns até são exatamente iguais ao que se passa comigo naquele momento. Agora, como isso me define, não sei!

Sobre meu nome da autora: Brinco que já tive momentos de Éponine e de Fantine e agora estou vivendo minha fase Cosette. Tudo é tirado de "Os Miseráveis", de meu outro ídolo, Victor Hugo. Recomendo muito mais do que fortemente esse livro. Há encerrada nele sabedoria além de seu tempo. Tendo a pensar que tudo o que se deve saber nesse mundo - e muito mais - está ali. Qualquer dia eu falo mais sobre esse livro.
A outra parte do nome refere-se à peça de Tennessee Williams (pessoa com mais letras duplas no mundo) "Um bonde chamado desejo" (ou "Uma rua chamada pecado", em algumas traduções e na versão cinematográfica). A heroína, conquanto não tenha valores e atitudes que condizam com o que eu penso, tem uma aura de sonho, magia e ilusão que encanta e que eu identifico também em mim.

Já está bom para uma simples descrição. Agora, é só aguardar novas idéias, novos posts e, quem sabe, alguma coisa boa não surja disso?!

Deliciem-se!!!