Luisinho e Mariana sempre estudaram na mesma sala. Eles brincavam juntos, estudavam juntos, iam para casa juntos, estavam sempre juntos. O tempo foi passando e a proximidade permanecia.
Em um triste dia chuvoso, Luisinho não pôde ver Mariana, pois sua mãe não o deixara sair de casa. Essa situação já acontecera muitas outras vezes anteriormente. Apesar disso, Luisinho estava especialmente triste por não poder ver sua amiga. Ele não entendia o porquê de tamanha tristeza. Era certo que se veriam no dia seguinte, na aula...
Pensava nisso, mas não encontrava resposta. Pensou em ligar para ela, mas ficou nervoso (estranho, isso nunca ocorrera antes!). Após algumas horas pensando nisso, pelo menos pareciam horas, o telefone toca. Ele é tirado de seus pensamentos pelo ruído do toque e por seu próprio grito.
Corre ao telefone, afinal, pode ser Mariana. "Mas, espera, e se for ela? Ai, meu Deus! O que fazer agora? Mas, por que essas perguntas? Nós nos falamos ao telefone todas as noites." Atende.
Alô! Diz a voz do outro lado. "Estranho!", pensa Luís, que, em um momento, passou a sentir ojeriza do diminutivo que parecia depreciá-lo, "nunca percebi quão doce e melíflua é a voz da Mariana! Melíflua? De onde surgiu essa palavra? Provavelmente eu a ouvi em uma canção de amor. Amor?! Quem está falando de amor? O que está acontecendo?"
Alô!, repete a voz, tão normal e conhecida no dia anterior e tão única e misteriosa e ... melíflua agora! Luís fica paralisado. Não consegue pronunciar essas duas sílabas: A-lô! Tão simples em qualquer outro momento, tão banal para qualquer pessoa. Mariana desliga.
Dia seguinte na aula: Luís chega mais tarde e mal olha Mariana. Ao invés de sentar-se ao lado dela, como fez por anos a fio, experimenta sentar-se em outro lugar. Não consegue prestar atenção na aula. Percebe o quanto sempre quis Mariana e nunca percebera antes. Percebe que, em um momento, passou a amá-la com todas as forças, como jamais creu ser possível.
Não sabia mais como agir. Ao mesmo tempo em que queria contar-lhe tudo, pois se achava capaz de qualquer coisa por aquele amor, julgava que poderia enfrentar qualquer desafio que ela lhe impusesse; queria esconder esse sentimento, tinha medo de que ela o rejeitasse, de que ela não aceitasse o seu amor. Ele precisava descobrir o que fazer.
Intervalo. Era a chance que ele teria de acabar com aquela tortura. Luís segura o braço de Mariana e diz-lhe que ela é linda, especial e que sempre a amou, mas que só percebera na tarde anterior. Toma coragem e pergunta o que ela sente.
"Estou apaixonada!", diz ela. Ele começa a esboçar um sorriso, mas ela continua, "...liguei ontem para contar isso: eu e o Pedro, do 3ºB estamos namorando!" Nisso, o chão parece ceder e o mundo desabar sobre os ombros de Luís. Quando ele acha que sua situação não podia piorar, ela completa: "eu sempre fui apaixonada por você! Há uns três anos, eu dava os sinais para você se aproximar, mas você nunca se interessou. Ontem à tarde eu decidi que não valia a pena eu ficar sofrendo por você e esperando a vida inteira por uma decisão sua e resolvi seguir em frente."
Pedro entra na sala, segura a mão de Mariana e a leva de lá, não sem antes trocar com a moça um beijo. Luís, que assiste a tudo impassível e perplexo, tenta entender o que foi que ele não percebeu antes. Mas, a única coisa em que consegue pensar é em como o destino brinca com as pessoas e como o atraso dele de um dia pôde transformar o resto do ano letivo em um inferno, em que ele verá sempre sua amada Mariana, mas sempre inatingível, ao lado do Pedro.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
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2 comentários:
A-DO-REI!!!
É... Ainda bem que o infero, ops, o ano letivo, está acabando... Assim o Luisinho não sofre tanto...
Mas lindo o texto. Gostei mesmo...
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