Meu amor,
Um oceano e a metade de dois continentes nos separam. Há quase 10.000 quilômetros entre nós (9.293, para ser exata). Nunca ficamos tanto tempo longe um do outro nesse ano e meio em que estamos juntos - ou mesmo nesse período de mais de dois anos que nos conhecemos. Não conseguimos nos falar com tanta freqüência quanto gostaríamos. A saudade nos oprime o coração, tanto o meu quanto o seu.
Apesar de toda essa conspiração do sistema métrico contra nós, eu sempre procuro refúgio nas lembranças dos momentos que passamos juntos, nas fotos que tiramos nesses dois anos e pouco e, principalmente, em "Oceano", que sempre me faz lembrar você, suas ligações, nossos jantares, tudo o que vivemos ao som dessa canção. Toda vez que a ouço, sinto-me mais próxima de você, meu adorado.
Daqui a pouco tempo (menos de um mês), voltaremos a ouvir nossa música sem que um oceano nos separe, será apenas o que nos une!
Amo você, para sempre!
quinta-feira, 17 de abril de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Saudade
Confesso que a saudade me invade todos os dias e todas as noites. À noite, ela sempre vem com mais força, vem mais opressora. É de noite que ela chega com seu açoite e começa a golpear com um coice ou, como a morte, com uma foice (para praticar um pouco a rima).
Tá, voltamos a ser sérios! A questão é que de dia, tem o trabalho, os problemas, os e-mails, as pesquisas, os telefonemas, tudo isso. Mal dá tempo de pensar em algo que não seja a missão.
Por outro lado, de noite, fico sozinha no meu quarto. É de noite que fico ouvindo as mesmas músicas que estão desde sempre no meu celular, todas ma elmbrando a mesma pessoa. É de noite que leio um livro que comprei completamente por acaso, sem saber do que se tratava, porque achei a capa bonitinha. Acabou que me identifiquei tanto com o livro, tirando toda a questão política e ideológica (se é que se pode pensar em um livro de Isabel Allende sem levar em consideração a parte ideológica...).
A cidade é linda, mas minúscula. Já rodei tudo e conheço as ruas de cor - sabendo a ordem dos restaurantes e das lojas - desde a primeira semana aqui... Às vezes, me dá vontade imensa de voltar para o meu cantinho, para os meus sapatos - como sinto falta dos assassinos dos meus pés... - para a minha casa, tão pertinho da casa do meu amor. Quero voltar para meus restaurantes prediletos, para os rodízios loucos de sushi, de pizza, de tapioca... Sinto falta de telefone, de carro, de inscrições em português pelas ruas. (Adoro ver aqui que algo é novo, porque, em esloveno, novo é novo. Me sinto em casa quando leio isso).
O principal, no entanto, é a falta das pessoas. Sinto falta dos meus amigos sempre presentes e dos muitas vezes ausentes (por minha própria culpa). Sinto falta da minha família. Sinto falta do meu amor, que ficou tão longe. Sinto falta da liberdade que tenho para me movimentar na minha cidade, pelos lugares que eu conheço e onde me sinto em casa...
Verdade é que nunca passei tanto tempo longe assim. Piora tudo o fato de não ter acesso fácil a telefones... Me faz falta ouvir a voz das pessoas.
Mas, um mês passa rápido. Daqui a uns 25 dias, eu volto a tudo o que faz meu mundo, ao meu canto, ao meu carro, ao meu telefone funcionando, aos meus sapatos assassinos, às minhas roupas de calor, aos meus perfumes, às minhas músicas, aos meus filmes, aos meus livros, aos meus amigos, à minha família e ao meu amor.
Tá, voltamos a ser sérios! A questão é que de dia, tem o trabalho, os problemas, os e-mails, as pesquisas, os telefonemas, tudo isso. Mal dá tempo de pensar em algo que não seja a missão.
Por outro lado, de noite, fico sozinha no meu quarto. É de noite que fico ouvindo as mesmas músicas que estão desde sempre no meu celular, todas ma elmbrando a mesma pessoa. É de noite que leio um livro que comprei completamente por acaso, sem saber do que se tratava, porque achei a capa bonitinha. Acabou que me identifiquei tanto com o livro, tirando toda a questão política e ideológica (se é que se pode pensar em um livro de Isabel Allende sem levar em consideração a parte ideológica...).
A cidade é linda, mas minúscula. Já rodei tudo e conheço as ruas de cor - sabendo a ordem dos restaurantes e das lojas - desde a primeira semana aqui... Às vezes, me dá vontade imensa de voltar para o meu cantinho, para os meus sapatos - como sinto falta dos assassinos dos meus pés... - para a minha casa, tão pertinho da casa do meu amor. Quero voltar para meus restaurantes prediletos, para os rodízios loucos de sushi, de pizza, de tapioca... Sinto falta de telefone, de carro, de inscrições em português pelas ruas. (Adoro ver aqui que algo é novo, porque, em esloveno, novo é novo. Me sinto em casa quando leio isso).
O principal, no entanto, é a falta das pessoas. Sinto falta dos meus amigos sempre presentes e dos muitas vezes ausentes (por minha própria culpa). Sinto falta da minha família. Sinto falta do meu amor, que ficou tão longe. Sinto falta da liberdade que tenho para me movimentar na minha cidade, pelos lugares que eu conheço e onde me sinto em casa...
Verdade é que nunca passei tanto tempo longe assim. Piora tudo o fato de não ter acesso fácil a telefones... Me faz falta ouvir a voz das pessoas.
Mas, um mês passa rápido. Daqui a uns 25 dias, eu volto a tudo o que faz meu mundo, ao meu canto, ao meu carro, ao meu telefone funcionando, aos meus sapatos assassinos, às minhas roupas de calor, aos meus perfumes, às minhas músicas, aos meus filmes, aos meus livros, aos meus amigos, à minha família e ao meu amor.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Vozes dissonantes no deserto
Hoje, eu ouvi uma frase que me chocou um pouco. Um sujeito disse: "Quando todo mundo faz tudo errado, se você faz a coisa certa, você é o errado!" A frase, por si só, já me seria um pouco estarrecedora, mas, sabendo de algumas coisas completamente erradas que o moço fizera, isso me assustou ainda mais.
Será que chegamos mesmo a esse ponto? Não existirá mais a autodeterminação dos povos e das pessoas? O que terá acontecido à autenticidade, à integridade, à sinceridade e a outros "dades" que regiam nosso mundo e governavam nossa conduta?
Talvez a civilização tenha mesmo entrado em um visível processo de declínio em aspectos culturais (assunto para outra ocasião) e morais. Parece que voltamos ao mundo de Hobbes (se é que chegamos a sair dele em algum momento) e todos só querem mais e mais. Como diria Webber (e hoje bateu alguma coisa aqui que me fez lembrar a faculdade), mais prestígio, mais riqueza e mais poder.
O pensamento geral é: "Se todos estão tirando vantagem nisso, por que eu não posso fazer o mesmo?" Todos querem viver à custa dos outros. Cada um quer o seu quinhão, a sua sinecura. Não se valoriza mais as características das pessoas, o caráter, os valores, apenas os rendimentos. E, vendo que a sociedade, como um todo, pensa assim, as pessoas começam a pensar da mesma forma, o que gera um círculo vicioso.
Mas, será que nós podemos mudar essa situação? Eu, do alto do meu idealismo, achava que sim. Sempre pensei que as pessoas deveriam fazer o que elas realmente achassem certo, sem se importar com o que os outros diriam. Em alguns casos, cria eu, deve-se impor a nossa opinião e devemos adotar atitudes condizentes com nossos pensamentos. Mas, nem eu mesma consigo fazer isso.
Por exemplo, (só para eu falar um pouquinho mais de mim...) eu faço um curso de ... (não interessa do que é o curso, basta saber que eu faço um). Meus colegas, pelo menos a maioria esmagadora de 95%, não gostam nem um pouco do curso e só apontam defeitos. Por outro lado, euzinha, apesar de saber dos pontos falhos que existem (afinal, o que nesse mundão não tem pontos falhos?), gosto muito de lá. Acho que foi um local que me proporcionou um crescimento tremendo como pessoa e onde eu aprendi muitas coisas, algumas úteis, outras interessantes, outras nem isso nem aquilo. Mas, no final, para mim, o saldo foi muito positivo.
Ao invés de defender com unhas e dentes minha posição - talvez um pouco conformista - e dizer que tem coisas muito boas lá, prefiro calar-me ou mesmo concordar quando dizem que não é bom. No início, lembro que tentava expressar meu ponto de vista favorável, mas, cansada de ser a única voz dissonante no deserto, achei mais fácil concordar, para ser aceita como pessoa normal e integrar o grupo dos que não gostam.
Antígona não teria feito o mesmo. Ela preferiu desafiar seu tio-rei e toda a cidade e fazer o que achava certo, ganhando, como recompensa, a morte. Isso é um valor que deveríamos resgatar! O empenho por uma causa que consideramos justa e certa, chegando ao extremo de sacrificar nossa vida por isso. Se tivéssemos essa mesma força de caráter, ao ver algo errado, mesmo que generalizado, faríamos de tudo para mudar a situação e não copiaríamos o erro para também tirar nossa vantagem.
Reconheço esse espírito em algumas pessoas que me cercam e fico feliz por saber que existe gente assim. Se essas pessoas puderem passar isso para o resto do mundo (começando por mim), talvez, possamos sair desse abismo moral em que estamos há quase um século, na minha humilde opinião. Se o mundo então será melhor para se viver, não sei, mas acredito que as pessoas serão melhores, com mais caráter, mais valores e mais moral. E o resto; bem, como diria Shakespeare, o resto é silêncio!
Será que chegamos mesmo a esse ponto? Não existirá mais a autodeterminação dos povos e das pessoas? O que terá acontecido à autenticidade, à integridade, à sinceridade e a outros "dades" que regiam nosso mundo e governavam nossa conduta?
Talvez a civilização tenha mesmo entrado em um visível processo de declínio em aspectos culturais (assunto para outra ocasião) e morais. Parece que voltamos ao mundo de Hobbes (se é que chegamos a sair dele em algum momento) e todos só querem mais e mais. Como diria Webber (e hoje bateu alguma coisa aqui que me fez lembrar a faculdade), mais prestígio, mais riqueza e mais poder.
O pensamento geral é: "Se todos estão tirando vantagem nisso, por que eu não posso fazer o mesmo?" Todos querem viver à custa dos outros. Cada um quer o seu quinhão, a sua sinecura. Não se valoriza mais as características das pessoas, o caráter, os valores, apenas os rendimentos. E, vendo que a sociedade, como um todo, pensa assim, as pessoas começam a pensar da mesma forma, o que gera um círculo vicioso.
Mas, será que nós podemos mudar essa situação? Eu, do alto do meu idealismo, achava que sim. Sempre pensei que as pessoas deveriam fazer o que elas realmente achassem certo, sem se importar com o que os outros diriam. Em alguns casos, cria eu, deve-se impor a nossa opinião e devemos adotar atitudes condizentes com nossos pensamentos. Mas, nem eu mesma consigo fazer isso.
Por exemplo, (só para eu falar um pouquinho mais de mim...) eu faço um curso de ... (não interessa do que é o curso, basta saber que eu faço um). Meus colegas, pelo menos a maioria esmagadora de 95%, não gostam nem um pouco do curso e só apontam defeitos. Por outro lado, euzinha, apesar de saber dos pontos falhos que existem (afinal, o que nesse mundão não tem pontos falhos?), gosto muito de lá. Acho que foi um local que me proporcionou um crescimento tremendo como pessoa e onde eu aprendi muitas coisas, algumas úteis, outras interessantes, outras nem isso nem aquilo. Mas, no final, para mim, o saldo foi muito positivo.
Ao invés de defender com unhas e dentes minha posição - talvez um pouco conformista - e dizer que tem coisas muito boas lá, prefiro calar-me ou mesmo concordar quando dizem que não é bom. No início, lembro que tentava expressar meu ponto de vista favorável, mas, cansada de ser a única voz dissonante no deserto, achei mais fácil concordar, para ser aceita como pessoa normal e integrar o grupo dos que não gostam.
Antígona não teria feito o mesmo. Ela preferiu desafiar seu tio-rei e toda a cidade e fazer o que achava certo, ganhando, como recompensa, a morte. Isso é um valor que deveríamos resgatar! O empenho por uma causa que consideramos justa e certa, chegando ao extremo de sacrificar nossa vida por isso. Se tivéssemos essa mesma força de caráter, ao ver algo errado, mesmo que generalizado, faríamos de tudo para mudar a situação e não copiaríamos o erro para também tirar nossa vantagem.
Reconheço esse espírito em algumas pessoas que me cercam e fico feliz por saber que existe gente assim. Se essas pessoas puderem passar isso para o resto do mundo (começando por mim), talvez, possamos sair desse abismo moral em que estamos há quase um século, na minha humilde opinião. Se o mundo então será melhor para se viver, não sei, mas acredito que as pessoas serão melhores, com mais caráter, mais valores e mais moral. E o resto; bem, como diria Shakespeare, o resto é silêncio!
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Sobre luvas e anéis... e pulseiras
Um dia desses, estava revendo o filme "Sissi" (que é uma graça, recomendo!). Uma das cenas mostrava um baile da corte austríaca, a mais chique da época. Notei uma coisa de que já desconfiava havia algum tempo: mulheres chiques não usam luvas e anéis, mas quase todas usavam luvas e pulseiras.
Pensei em uma menina que conheci há bastante tempo, que costumava dizer que não se podia ter tudo no mundo, que não se podia, por exemplo, usar luvas e anéis. Realmente, esses são um tanto incompatíveis, mas, nem tudo está perdido, ainda restam as pulseiras.
Às vezes, aquilo que a gente quer, ou acha que quer, não é o melhor para a gente - afinal, o anel, devido ao volume extra que a luva faz no dedo, passa a não mais caber. Por isso, o melhor, é procurar uma outra alternativa, como pulseiras, que ficam muito melhor com a luva e ficam incrivelmente glamourosas.
Queria poder dizer isso a essa menina. Queria dizer que, em um aspecto, ela está certa, não se pode ter tudo. Mas, isso não é o fim do mundo. Se, por um lado, anel não pode, por outro, há alternativas, que, apesar de não parecer à primeira vista, são melhores, mais bonitas e mais interessantes.
Acima de tudo, queria dizer que os anéis podem ir embora, talvez por muito tempo, talvez para sempre, mas os dedos sempre ficam. Dedos ansiosos por novas luvas e por pulseiras.
Pensei em uma menina que conheci há bastante tempo, que costumava dizer que não se podia ter tudo no mundo, que não se podia, por exemplo, usar luvas e anéis. Realmente, esses são um tanto incompatíveis, mas, nem tudo está perdido, ainda restam as pulseiras.
Às vezes, aquilo que a gente quer, ou acha que quer, não é o melhor para a gente - afinal, o anel, devido ao volume extra que a luva faz no dedo, passa a não mais caber. Por isso, o melhor, é procurar uma outra alternativa, como pulseiras, que ficam muito melhor com a luva e ficam incrivelmente glamourosas.
Queria poder dizer isso a essa menina. Queria dizer que, em um aspecto, ela está certa, não se pode ter tudo. Mas, isso não é o fim do mundo. Se, por um lado, anel não pode, por outro, há alternativas, que, apesar de não parecer à primeira vista, são melhores, mais bonitas e mais interessantes.
Acima de tudo, queria dizer que os anéis podem ir embora, talvez por muito tempo, talvez para sempre, mas os dedos sempre ficam. Dedos ansiosos por novas luvas e por pulseiras.
Volta e votos.
Voltei!
Depois de alguns dias, uns de descanso e outros nem tanto, estou de volta à ativa. Pensei em milhões de coisas que poderia escrever aqui, mas não tinha internet disponível... Aos pouquinhos, vou passar meus pensamentos da caixola à telinha.
Primeiramente, só queria dizer que espero que todos tenham tido um Natal maravilhoso, repleto de luz e paz. Não mandei mensagem bonitinha esse ano, mas queria que soubessem que vocês estavam no meu coração o tempo todo. O celular não funcionava direito e a internet não existia na minha vida, mas meus amigos povoaram meu coração na passagem do 24 ao 25, naquele momento especial, desejei a todos que moram no meu coração um Natal especial, com tudo de bom que o Natal pode, e deve, ter.
Vamos ver o que mais eu trago para cá!
Beijos a todos!
Depois de alguns dias, uns de descanso e outros nem tanto, estou de volta à ativa. Pensei em milhões de coisas que poderia escrever aqui, mas não tinha internet disponível... Aos pouquinhos, vou passar meus pensamentos da caixola à telinha.
Primeiramente, só queria dizer que espero que todos tenham tido um Natal maravilhoso, repleto de luz e paz. Não mandei mensagem bonitinha esse ano, mas queria que soubessem que vocês estavam no meu coração o tempo todo. O celular não funcionava direito e a internet não existia na minha vida, mas meus amigos povoaram meu coração na passagem do 24 ao 25, naquele momento especial, desejei a todos que moram no meu coração um Natal especial, com tudo de bom que o Natal pode, e deve, ter.
Vamos ver o que mais eu trago para cá!
Beijos a todos!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Desabafo
É engraçado como algumas pessoas entram na nossa vida sem que a gente nem perceba como. Aos poucos elas passam a ocupar um grande espaço no nosso coração e nos nossos pensamentos.
É aos pouquinhos que elas ganham número na discagem rápida no celular, ganham foto no quadro de ímã, ganham e-mails às tardes, ganham apelido, ganham cartão do garfield comentando a idade no aniversário, ganham caronas para festas e eventos, ganham guardanapo cheio de planos e perspectivas, ganham atenção cada vez maior. Em um átimo, essas pessoas viram companhia para a caminhada de domingo, viram alvo preferido de provocações, viram melhores amigos.
Parece tudo ter acontecido de repente mesmo. A gente mal se falava, e, de repente, você é uma das pessoas em quem mais confio no mundo. Eu ainda confundia você e o outro mocinho com o mesmo apelido, agora, você e eu somos como que inseparáveis.
E o que fazer quando essa pessoa quer ir embora? Alguém cuja distância não agüentamos por uma semana, de repente, resolve ir embora por anos, 5 no mínimo. Eu tento fingir que está tudo bem, tento fazer piadas a todos a respeito disso, mas, a verdade é que, se for embora, sei que ele levará para longe um pedaço de minha alma.
Quem vai aprender línguas estranhas comigo? Para quem eu vou ligar quando não tiver o que fazer? Quem vai me falar sobre Paris? Na casa de quem em vou almoçar no primeiro final de semana de outubro de 2008? Com quem eu vou caminhar no domingo? Quem vai ouvir minhas teorias? Quem vai me falar para relevar muita coisa que está errada no mundo, e muitas pessoas também? Eu vou espalhar para a turma o aniversário de quem? Com quem eu vou procurar baladas em dia de semana em cidades desconhecidas? Quem vai dividir vinho comigo nas viagens da turma?
Eu até estou acostumada com esse tipo de abandono, mas nunca soube lidar muito bem com isso. Não sei se isso é algo que se aprende ou aperfeiçoa com a prática. Enfim, o jeito é torcer para que os 5 anos (ou mais) passem rápido e que ainda nos encontremos pelo correr da vida.
É aos pouquinhos que elas ganham número na discagem rápida no celular, ganham foto no quadro de ímã, ganham e-mails às tardes, ganham apelido, ganham cartão do garfield comentando a idade no aniversário, ganham caronas para festas e eventos, ganham guardanapo cheio de planos e perspectivas, ganham atenção cada vez maior. Em um átimo, essas pessoas viram companhia para a caminhada de domingo, viram alvo preferido de provocações, viram melhores amigos.
Parece tudo ter acontecido de repente mesmo. A gente mal se falava, e, de repente, você é uma das pessoas em quem mais confio no mundo. Eu ainda confundia você e o outro mocinho com o mesmo apelido, agora, você e eu somos como que inseparáveis.
E o que fazer quando essa pessoa quer ir embora? Alguém cuja distância não agüentamos por uma semana, de repente, resolve ir embora por anos, 5 no mínimo. Eu tento fingir que está tudo bem, tento fazer piadas a todos a respeito disso, mas, a verdade é que, se for embora, sei que ele levará para longe um pedaço de minha alma.
Quem vai aprender línguas estranhas comigo? Para quem eu vou ligar quando não tiver o que fazer? Quem vai me falar sobre Paris? Na casa de quem em vou almoçar no primeiro final de semana de outubro de 2008? Com quem eu vou caminhar no domingo? Quem vai ouvir minhas teorias? Quem vai me falar para relevar muita coisa que está errada no mundo, e muitas pessoas também? Eu vou espalhar para a turma o aniversário de quem? Com quem eu vou procurar baladas em dia de semana em cidades desconhecidas? Quem vai dividir vinho comigo nas viagens da turma?
Eu até estou acostumada com esse tipo de abandono, mas nunca soube lidar muito bem com isso. Não sei se isso é algo que se aprende ou aperfeiçoa com a prática. Enfim, o jeito é torcer para que os 5 anos (ou mais) passem rápido e que ainda nos encontremos pelo correr da vida.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Algumas noites a mais
Quando chegou em casa, Sabrina já estava dormindo. Gustavo pensou, então, que deveria passar mais tempo em casa. Fazia já alguns dias que não conversava com sua esposa: sempre chegava tarde, e ela já estava dormindo, e saía cedo, e ela ainda não acordara.
Tirou a roupa do trabalho, tomou um banho e vestiu o pijama. Sentou-se na cama e ficou observando sua bela esposa deitada, imóvel, sobre o leito, com sua camisola de cetim florida, a mesma que usava todas as noites. Deitou-se a seu lado e adormeceu.
No dia seguinte, acordou cedo como sempre. Estranhou o fato de Sabrina não reclamar do despertador, mas não pensou muito sobre isso. Trocou de roupa para ir ao trabalho. Percebeu que a pilha de roupa suja aumentava a cada dia - apenas com suas roupas - mas, como isso era preocupação de Sabrina, não mais pensou nisso.
Foi para o trabalho e enfrentou mais um dia estressante de trabalho, para, ao final do dia, encontrar a mesma Sabrina adormecida com a mesma camisola florida, na mesma posição em sua cama.
Essa mesma história se repetiu no dia seguinte e no outro. Na quarta noite, durante o banho, o telefone tocou. Gustavo pediu que Sabrina atendesse, mas ela continuava impassível. Ele, então, ao sair do banho, perguntou-lhe porque ela não atendera. Ela continuava imóvel.
Ele aproximou-se dela e sentiu-lhe a face, para ver se ela parecia ter febre, mas sua testa estava gélida como o mármore. Quis sentir-lhe o pulso, mas não o encontrava... Apavorado, chamou uma ambulância, que chegou rapidamente. Os pára-médicos entraram no quarto e, antes mesmo de ver a mulher, disseram a Gustavo que, a julgar pelo cheiro, ela parecia já ter morrido há alguns dias.
Só então, Gustavo refletiu sobre o que ocorrera. Como chegaram ao ponto de ter tão pouco contato e diálogo. No início de seu casamento, não havia um só dia em que não se falavam, não se beijavam. Os problemas, o trabalho, alguma coisa aconteceu e afastou o casal de tal modo que nem a morte foi percebida. Não é porque estava morta que Sabrina não falava com Gustavo quando ele chegava do trabalho, ela agia dessa forma havia alguns anos. Ele se acostumou ao fato de ela fingir estar dormindo para não falar com ele e respeitou esse silêncio. Não era maldade, era a certeza de que, se se falassem, discutiriam. E ambos já estavam cansados de discutir todas as noites.
Gustavo, por menos que visse sua esposa, amava-a mais que qualquer coisa. Sabrina também o amava, mas não suportava mais a ausência do marido e a falta de diálogo entre eles. No fim das contas, ela morreu sem que um pudesse dizer ao outro tudo aquilo que ficara esquecido ao longo dos anos, tudo o que era importante e não era dito. Tudo o que ficara escondido por trás das palavras rudes, das ofensas e dos gritos.
Por algumas noites, Gustavo acreditou estar tudo como sempre esteve. Por algumas noites, Sabrina estava lá e isso lhe dava segurança. Mas, só segurança não é o bastante. Faltava algo naquela Sabrina, faltava o que Gustavo mais apreciava nela: a vida. Por algumas noites a mais, Sabrina viveu sem ter vivido e isso foi o suficiente para Gustavo refletir sobre sua vida, sua esposa e a saudade que ele sempre sentiria dela.
Tirou a roupa do trabalho, tomou um banho e vestiu o pijama. Sentou-se na cama e ficou observando sua bela esposa deitada, imóvel, sobre o leito, com sua camisola de cetim florida, a mesma que usava todas as noites. Deitou-se a seu lado e adormeceu.
No dia seguinte, acordou cedo como sempre. Estranhou o fato de Sabrina não reclamar do despertador, mas não pensou muito sobre isso. Trocou de roupa para ir ao trabalho. Percebeu que a pilha de roupa suja aumentava a cada dia - apenas com suas roupas - mas, como isso era preocupação de Sabrina, não mais pensou nisso.
Foi para o trabalho e enfrentou mais um dia estressante de trabalho, para, ao final do dia, encontrar a mesma Sabrina adormecida com a mesma camisola florida, na mesma posição em sua cama.
Essa mesma história se repetiu no dia seguinte e no outro. Na quarta noite, durante o banho, o telefone tocou. Gustavo pediu que Sabrina atendesse, mas ela continuava impassível. Ele, então, ao sair do banho, perguntou-lhe porque ela não atendera. Ela continuava imóvel.
Ele aproximou-se dela e sentiu-lhe a face, para ver se ela parecia ter febre, mas sua testa estava gélida como o mármore. Quis sentir-lhe o pulso, mas não o encontrava... Apavorado, chamou uma ambulância, que chegou rapidamente. Os pára-médicos entraram no quarto e, antes mesmo de ver a mulher, disseram a Gustavo que, a julgar pelo cheiro, ela parecia já ter morrido há alguns dias.
Só então, Gustavo refletiu sobre o que ocorrera. Como chegaram ao ponto de ter tão pouco contato e diálogo. No início de seu casamento, não havia um só dia em que não se falavam, não se beijavam. Os problemas, o trabalho, alguma coisa aconteceu e afastou o casal de tal modo que nem a morte foi percebida. Não é porque estava morta que Sabrina não falava com Gustavo quando ele chegava do trabalho, ela agia dessa forma havia alguns anos. Ele se acostumou ao fato de ela fingir estar dormindo para não falar com ele e respeitou esse silêncio. Não era maldade, era a certeza de que, se se falassem, discutiriam. E ambos já estavam cansados de discutir todas as noites.
Gustavo, por menos que visse sua esposa, amava-a mais que qualquer coisa. Sabrina também o amava, mas não suportava mais a ausência do marido e a falta de diálogo entre eles. No fim das contas, ela morreu sem que um pudesse dizer ao outro tudo aquilo que ficara esquecido ao longo dos anos, tudo o que era importante e não era dito. Tudo o que ficara escondido por trás das palavras rudes, das ofensas e dos gritos.
Por algumas noites, Gustavo acreditou estar tudo como sempre esteve. Por algumas noites, Sabrina estava lá e isso lhe dava segurança. Mas, só segurança não é o bastante. Faltava algo naquela Sabrina, faltava o que Gustavo mais apreciava nela: a vida. Por algumas noites a mais, Sabrina viveu sem ter vivido e isso foi o suficiente para Gustavo refletir sobre sua vida, sua esposa e a saudade que ele sempre sentiria dela.
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