Será que, só de olhar para uma pessoa, a gente pode saber quem ela realmente é, o que ela sente, quais pensamentos povoam sua mente? As pessoas, quando estão em crise, assumem posturas diferentes umas das outras. Algumas fazem escândalo, gritam, choram, esperneiam. Outras reclamam, resmungam, protestam. Outras mantêm-se caladas, quietas, sofrendo em silêncio, em uma atitude nobre, altiva, quase sublime.
Quando algo acontece a um amigo querido, nossa tendência é ajudar em tudo o que estiver a nosso alcance. Não é que seja uma atitude altruísta, é bem egoísta: queremos ajudar NOSSOS amigos, talvez com esperança de que eles nos ajudem futuramente, talvez não, mas, ainda assim, os NOSSOS amigos.
Agora, leitora amiga, esses dois pensamentos guardam relação entre si ou são apenas reflexões aleatoriamente jogadas no papel, digo, no teclado? Sim, eles têm relação entre si!
Nós queremos ajudar nossos amigos, mas, sabemos quando eles precisam de ajuda? Se a pessoa em questão pertencer ao primeiro ou ao segundo grupo, podemos perceber quando ajudar e, amiúde, também como ajudar. Normalmente, nessas reclamações, já há implícita a solução do problema. Às vezes, só é difícil para que reclama encontrar, mas, quem ouve percebe rapidamente como pode tornar tudo mais fácil.
O problema real está em quando se trata de uma pessoa do terceiro grupo. Elas escondem seu sofrimento e sua tristeza e agem naturalmente como se estivesse tudo perfeito. Você pergunta se está tudo bem e elas respondem "Está, tudo certo!" Não é mentira, elas ignoram o problema que não querem compartilhar com o mundo e o resto, este sim, está certo.
Nesses casos, há somente uma pequena falha no interior, que não se reflete na estrutura. Essa falha pode demorar muitos anos até ser detectada. Enquanto isso, a pessoa sofre sozinha, em seu nobre silêncio e em sua sublime altivez. E nós? Nós não pudemos ajudar em nada, não porque não quiséssemos, mas porque não sabíamos desse problema.
Às vezes, quando descobrimos essa rachadura, tentamos ajudar, mas, em geral, não se trata de um problema de fácil solução, é algo realmente profundo e difícil. Nos invade uma sensação grande de impotência frente à qual nada podemos fazer. Essa é, posso garantir, uma das piores sensações do mundo: sabe que alguém de quem você gosta, com quem você se preocupa está com um problema e você não pode fazer nada!
Mas, às vezes, na maioria das vezes, a gente ajuda, sim. Só de escutar o problema, saber o que está acontecendo, a gente já passa uma segurança para a pessoa em questão, ela passa a saber que não está sozinha, que pode contar com alguém. Além do que, duas pessoas pensando em um modo de acabar com o problema da melhor forma, podem chegar a uma resposta melhor e mais rápida do que se só uma pessoa estivesse pensando.
O principal no caso de pessoas assim - grupo no qual eu própria me incluo - é identificar o grito de socorro. Esse grito não chega a ser um grito, ao contrário, é abafado como um suspiro e silencioso como uma lágrima. Depois desse pedido, deve-se tentar ajudar, de forma bem egoísta mesmo, para que a pessoa que NÓS amamos não sofra. No final, problemas são resolvidos, feridas se curam, rachaduras se fecham, a vida volta ao normal e a amizade sai muito fortalecida. E isso é o principal da vida: amizade!

2 comentários:
Só vc pra me fazer chorar do início ao fim do texto... Lindo o que vc escreveu, lindo mesmo. Profundo, sensível, sincero...
Dava pra falar e comentar mtas coisas, mas por hora, dada a falta total de palavras, menciono apenas duas:
1) a partir da perspectiva de amiga de pessoa do 3o. grupo, digo, de coração, q talvez não seja legal ou saudável ser assim. Como vc mesma falou, os amigos querem ajudar, e por mais difícil que seja, se abrir pode valer a pena (to vendo que vale! ;)
2) agora, falando da perspectiva de representante do 3o. grupo, só queria te dizer q vc já ajuda, e mto. tenha plena certeza disso.
Sobre ambos os pontos acima, e outras cositas más suscitadas pelo texto, podemos conversar mais e melhor dpois.
Ah, sim, e concordo plenamente com a parte sobre fortalecimento da amizade!
drógaaaaa!! perdi meu comentário!!
enfim, eu dizia, de um modo bem mais extenso e elaborado, que o texto é fofo, e que eu não sou do terceiro grupo (sou do segundo, eu acho!), mas, como sempre, SOFRO MUITO como essas minhas amigas mais fechadas do universo que só falam as coisas sob mega pressão... mas aos poucos acho que estou conseguindo quebrar essa casca dura que vcs usam pra se proteger, e quem sabe, em breve, eu não possa começar a ajudar de verdade as pessoas que EU gosto. Bem esgoisticamente...
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