A maior parte dos problemas que nos afligem vêm de falhas de comunicação. O ser humano criou formas cada vez mais evoluídas de se comunicar: aperfeiçoou a linguagem corporal, desenvolveu a capacidade de fala, criou mecanismos complexos de escrita... e continua sem saber se comunicar. Se nós pudéssemos expressar exatamente o que estamos pensando, poderíamos evitar esse tipo de situação em que cada um fala uma coisa diferente e ninguém se entende.
Os relacionamentos entre homem e mulher são especialmente sujeitos a esse tipo de tormenta. O livro "Por que homens fazem sexo e mulheres fazem amor" dá explicações científicas para esse desencontro, mas, por mais que se tente evitar isso, seguindo os conselhos no livro, um homem ainda é um homem e uma mulher ainda é uma mulher.
Quantas vezes não ouvimos essas frases:
"Não foi o que você falou, foi como você falou!"
"O que você queria? Eu não sei ler pensamento!" ?
A primeira é uma frase tipicamente feminina, e a segunda, tipicamente masculina. Há explicações para isso, algo sobre a mulher perceber instintivamente mudanças de timbre e tom de voz, mudanças de expressão facial etc. e os homens não. Mas, no dia-a-dia, o que é que anda tão errado?
Se nós disséssemos exatamente o que pensamos, metade do problema seria resolvida. A questão é: nós sabemos o que estamos sentindo? Talvez eu seja estranha, mas eu não consigo descrever o que eu sinto, pois eu sinto milhões de coisas ao mesmo tempo e poucas delas têm nomes específicos. Não há forma de escalonar esses sentimentos para dizer "agora, eu estou sentindo isso!" Não dá!
Como resolver, então? Dizer tudo o que eu penso? Por Deus, se fizesse isso, todos me julgariam louca, pois meu pensamento nem sempre é retilíneo (na verdade, quase nunca o é): ele vai a um assunto, muda para outro, volta para o primeiro, vai a outro e nenhum deles tem relação com os outros, apenas na minha cabeça.
Além disso, será que é válido sempre dizer o que se está pensando? Será que, às vezes, não é melhor sofrer um pouco calada a fazer alguém que você ama sofrer também? Algumas coisas não podem ser ditas! É isso que causa os problemas entre as pessoas? Talvez seja. De repente, a sinceridade acima de tudo é mesmo a melhor política a ser adotada. Só não sei se eu consigo me adaptar a isso.
A vida deveria ser tão simples! Por que temos sempre de complicar tudo? Por que transformar uma simples frase ou um simples pedido em um gatilho que pode disparar em direção à dor, ao sofrimento e ao fim de um relacionamento?
O primeiro passo deve ser se conhecer melhor e analisar o porquê da tendência a fazer esses disparos. A questão é que, sabendo disso, as pessoas já ficam alertadas sobre um modo de disparar esse perigoso gatilho e evitam fazê-lo. Nesse ponto, entra a sinceridade e abertura para alertar sobre esses medos e traumas.
Quem sabe, com um conhecimento maior de nós mesmos e dos outros, a comunicação não se tornará mais fácil. E, assim, voltamos à milenar sabedoria de Sun Tzu: "Conhece-te a ti mesmo e ao teu inimigo!" Inimigo não, apenas a outra parte nesse embate de opiniões escondidas, de meias-palavras, de medo de dizer as coisas, de problemas de comunicação. Talvez, um dia consigamos, juntos, vencer essa guerra. Não sei.
Só sei que eu não quero puxar esse gatilho de novo! Ele nunca nos faz bem!
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
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3 comentários:
Dri, vc é a minha mais nova mentora espiritual! hehehe!!
Exatamente!!
Miga, adoro teus textos, de verdade! :)
Mas sim, é exatamente isso: problemas de comunicação, de compreensão da msg podem fazer estragos bem maiores do que deveriam... A vida realmente deveria ser mais simples!
Ah, mas pelo visto, a mesma comunicação que complicou tudo, conseguiu descomplicar depois, né? :)
Daí a grande importância de todos fazerem terapia, é um remédio excelente para se conhecer e impedir o q vc chamou de gatilhos!!!
Bjoss e adorei o blog!!!
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